domingo, 2 de janeiro de 2011

Entrevista com os Zbroing - Campeões 2010


O campeonato de quiz de cascata 2010 acabou por ter um vencedor inédito. Uma equipa já com algum historial, mas em que se calhar poucos apostariam no início da época, apesar da crescente competitividade.
Apesar de saber, por sofrer do mesmo mal, onde boa parte destes artistas de vaudeville se conheceu, mais precisamente num sempre suspeito palácio cor de rosa, fui falar com o Sérgio e o restante colectivo, para saber um pouco mais sobre a medicação que pode ter ajudado estes senhores a chegar ao título.

Entrevistador Astuto (EA) - Zbroing campeões pela primeira vez. No início da época isto era um desejo utópico ou já estavam dispostos a lutar por isso?

Colectivo Zbroing (CZ)
- No início da época já éramos claramente os favoritos, como aliás todos os anos. Apenas o sistema nos impediu de celebrar o hexa. Isso e o facto de apenas irmos na quinta edição do campeonato.


EA - Na vossa equipa, a vossa base académica (pelo que sei) é muito semelhante e já levam uns anitos a aturarem-se. Isso ajudou a manterem a evolução ao longo dos anos, unidos enquanto outras equipas se desmantelavam?

CZ - Na verdade, tudo isso é uma fachada. Todos fomos geneticamente concebidos por um cientista louco como Alfas (e um Beta menos, vá) precisamente com o objectivo de vir a vencer este campeonato, o qual ele sabia vir a ser criado mais dia, menos dia. Assim sendo, já podemos ser desintegrados no mês que vem.


EA - O que mudou na vossa equipa, face às outras épocas ou, pelo contrário, o que acham que mudou à vossa volta para esta senda de vitórias que levou ao título?

CZ - Continuamos a ter um núcleo de seis, sete pessoas tão brilhantes que só podemos chegar à conclusão que a mudança de 5 para 6 elementos este ano nos fez alcançar níveis verdadeiramente mesosféricos. De resto não fazemos ideia do que se passa nas outras equipas, nem damos por elas durante os jogos.


EA - Em que momento é que começaram a ter a sensação "Este ano é que é".


CZ - Terá sido quando obriguei o resto da equipa a tatuar no peito e no braço esquerdo uma estrelinha de campeão. Penso que esse facto deu a motivação extra que faltava ao colectivo para se galvanizar. Isso e a fruta.


EA - Em equipa que ganha não se mexe ou, com a saída do "Megas", exportado para outro país, já estão a planear a próxima época com
reforços, para a defesa do título?


CZ - O Megas já tinha sido substituído pelo menos três vezes desde que o campeonato começou, a cada vez por um clone mais avançado que o anterior. No entanto, como os jogos foram ficando progressivamente
menos emotivos, decidimos por unanimidade e aclamação enviá-lo para um campo de reabilitação por tempo indeterminado e proceder a treinos de captação ao estilo Battle Royale. Até agora os resultados dos amigáveis disputados tem sido bastante surpreendente.



EA - Como é que vêem em retrospectiva este campeonato no geral, a mediatização da cascata e do quiz em geral que se foi assistindo ao longo do ano?

CZ - Devido a uma bizarra doença, nenhum de nós possui a capacidade de ver em retrospectiva, pelo que estamos impossibilitados de responder a essa pergunta, pelo menos até o Ciências encontrar uma cura. Quanto à mediatização, penso que era apenas uma questão de tempo até tal ocorrer, sobretudo devido à enorme concentração de jornalistas por metro quadrado na Ajuda.


EA - Finalmente, o que acham que pode melhorar o campeonato de cascata para a próxima época.

CZ - Deixar de haver faltas de comparência ajudava. Talvez também haver alcatrão e penas à espera dos organizadores para os pôr em sentido.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Crónica Jornada Dezembro


Com os dois primeiros lugares já determinados antes do jogo, com a particularidade de ser o novo campeão a organizar, poderá deduzir-se que não havia tanto em jogo na cascata made by Zbroing. No entanto, havia ainda um terceiro lugar em jogo (entre Espertalhos, Ursinho e uns Cavaleiros em possível despedida) ou a questão de quem seriam os organizadores que faltavam apurar, para o próximo campeonato. Por isso, com a tradicional chuva de quiz à mistura, abriram-se as hostilidades


Escrita alternativa



Mantendo a componente digital a que já nos habituaram, apesar de faltar o JP para garantir que não há bits fora do lugar, os Zbroing brindaram-nos ainda com uma espécie de painel de mensagens instantâneas, que tantos fãs captou em programas de boa cepa, onde as palavras “Portugal”, “Coração” e “Mori” fazem sempre sentido. De notar que, com o avançar da noite e do consumo de bebidas espirituosas, aumentou o cariz enigmático do que ia sendo digitado no ecrã.

Fora isso, a parte escrita foi equilibrada e funcionou como um bom aquecimento, como se costuma desejar. As pontuações oscilaram entre 4 e 8 e talvez o único factor a apontar seja o cariz ligeiramente pós-moderno dos vídeos de music hall projectados. Ainda assim, aceitam-se perfeitamente, dado o equilíbrio da prova e o facto de já termos comido com pior e a pagar o mesmo.

Indomáveis e Ursinho saíam na frente, mas a vantagem era pouca e o primeiro nível estava aí à porta para provar isso mesmo.



Vamos lá serrar o presunto em beleza



Apesar de poder ser um quiz que, pela maneira como o campeonato se desenrolou, podia ter ter descambado num desconsolo pegado ou numa coisa feita às três pancadas, não foi essa a imagem que a organização dos Zbroing deixou. Não faltaram temas diversificados e questões interessantes embora, face à média geral, o primeiro nível tenha sido mais próximo de um segundo nível em termos de dificuldade, sendo que isso é algo que varia de organizador para organizador e, nesse sentido, nada a apontar.
O que notei foi que, ao contrário de outras organizações zbroinguianas, o critério de distribuição da dificuldade dentro de um mesmo nível não pareceu tão uniforme como a matriz desenvolvida noutras edições tendia a fazer transparecer. Se nas últimas duas cascatas a dificuldade foi homogeneamente mais puxada (mais do que perguntas que dão a volta à sala prefiro, no nível 1, ir pelo número de directas), com apenas 7 directas a serem respondidas em 32 possíveis, nas outras deu uma ligeira noção que a algumas mesas calhou em sorte um lote de perguntas mais acessível do que a outras.

No entanto, face a uma redução do número de directas acertadas, o número de cascatas pode contribuir para o equilíbrio das coisas e o espelho final deste nível, parecia amenizar ligeiramente aquilo que mencionei anteriormente. Os BMV c/Laranja, embalados ainda pela épica vitória da jornada anterior, tomavam conta da liderança amealhando 7 cascatas para além das directas, seguidos de perto pelos sempre imprevisíveis Frikadellos (também eles com 7 cascatas) e pelos Ursinho, que faziam o mealheiro quase só à conta das directas.

Quase irreconhecíveis estiveram os Feios, Porcos e Maus, que passaram de uma fase final para uma lanterna vermelha nesta jornada, sendo acompanhados nesta despedida de época pelos NNAPED, que tiveram uma época longe do fulgor de outras temporadas, Defenestrados (que, apesar disso, continuam a ser a equipa com maior margem de progressão e que, para o ano, já poderá pedir bebidas alcoólicas sem ter de mostrar o BI), uma Unidade 101 que tinha já quase garantida a sua organização para o próximo ano, os Power2U, a carregar baterias depois da época de estreia e os Golfinhos, que ficavam assim dependentes do resultado de outros (e possíveis desistências/fusões), para saber se se confirmava a estreia como organizadores em 2011.



Dos poetas do Irão, ao tipo que gosta tanto de Israel que a Telavive



Os Zbroing fizeram questão de não facilitar e, no segundo nível, o grau de dificuldade tendeu novamente para o elevado. A constatação dessa análise prende-se não tanto com o número de perguntas a dar a volta (13, nada de muito alarmante), mas mais com o número de directas respondidas (17 em 60 perguntas). A par da distribuição da dificuldade pelas várias mesas, a forma como as cascatas vão ou não parando em determinadas mesas, pode funcionar como indicador do pendor dos temas. Apesar disso e de algum recurso a perguntas cuja resposta são números/datas e que invariavelmente nos levam a respostas tipo bingo, não caímos na falta de jogabilidade e, embora agrupados em dois grupos principais, havia um equilíbrio que se ia mantendo a espaços.

Lais da Carangueja cedo ficaram fora da corrida ao terceiro nível e, face ao conjugar dos resultados dos seus concorrentes, viam-se assim arredados de uma possível estreia organizativa. Já os Folie à Cinq fechavam uma época de estreia com a promessa de uma boa revelação que se pode confirmar em 2011.

Na frente, os Fonix iam fazendo um percurso de trás para a frente, mostrando vontade de fazer uma despedida honrosa do título de campeões, acompanhados por uns Ursinho decididos a arrancar aqui a primeira vitória da época e galgar mais um ou dois lugares na tabela classificativa. No seu encalço, os BMV c/ Laranja demonstravam um final de época em força. Depois, a uma distância já significativa, cinco equipas discutiram, até à última pergunta, as três vagas que faltavam para o terceiro nível

Calhou a fava a dois dos pesos pesados, Mamedes e Espertalhos, com estes últimos a deixarem em mãos alheias a decisão da sua permanência (ou não) no terceiro lugar, ao passo que o combinado mamediano podia agora concentrar-se sem demoras no reforço do plantel para 2011.

Já Frikadellos e Indomáveis combinavam, junto com a passagem ao terceiro nível, a organização em 2011, ao passo que os Cavaleiros (mesmo sem Rogério, aparentemente lesionado numa rotura de marisco) se juntavam numa última? Cavalgada para a fase final.



A corrida só acaba no Arco do Truffaut



Tal como se previa, o terceiro nível foi feito em regime de subida aos Pirinéus. Primeiro, o presumível apresentador escalado sentiu-se mal com os efeitos da altitude, algo resolvido prontamente pelo Gonçalo, que virtualmente correu os níveis todos ao microfone. Depois, a dificuldade escalou novamente, com 19 perguntas a darem a volta, em 36 possíveis, dentro dos limites habituais de níveis três puxadotes.

E, quando assim é as coisas, salvo imponderáveis, mantêm-se quase imutáveis do segundo para o terceiro nível. Frikadellos fecharam o sexteto finalista, ao passo que o 5º lugar dos Cavaleiros não lhes permitia chegar aos Espertalhos e viam o seu quarto lugar em risco, face à prestação dos Ursinho. A confirmar-se que esta pode ter sido a última jornada dos Cavaleiros, fica uma despedida algo amarga para a história deste campeonato. Os Indomáveis ficavam em quarto lugar, com uma jornada em bom nível que ajuda a diluir um ano não tão proveitoso como se podia esperar.

Os BMV alaranjados ficavam com o terceiro lugar do pódio, fechando a época em nota alta e com boas expectativas para a temporada que se avizinha, ao passo que entre Ursino e Fónix decorria uma luta até ao soar do gong, pela vitória. Com os Ursinho na liderança, por dois pontos, aspirando a uma vitória que os deixaria inclusive em igualdade pontual com Espertalhos na terceira posição da geral, faltava apenas uma questão para o final do quiz. Uma directa para os seus perseguidores directo, os Fonix, que precisavam de acertar para fazer o factor de desempate, que lhes era favorável.

E foi na Nouvelle Vague que Filipe Bravo e os seus muchachos foram encontrar a chave para uma vitória que lhes escapava, salvo erro, desde Janeiro de 2009, quando iniciaram a sua caminhada para o título. Foi uma espécie de passagem de testemunho entre campeões 2009 e 2010, de travo amargo para os Ursinho, que tiveram a vitória na mão até ao último segundo.

Um fecho dramático, para uma jornada que já cheirava a festa e que, não sendo propriamente memorável, acabou por cumprir no fecho de um campeonato que deixa antever um 2011 com muita competitividade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

CLASSIFICAÇÃO DE DEZEMBRO


(um dia, isto vai ser uma tabela do Miguel, vocês vão ver, com bonitos gráficos e curiosos dados estatísticos)
(quando esse dia chegar, vira-lhe as costas!)


E os dados estatísticos chegarão... um dia. Mas vira-lhe as costas...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Antevisão Zbroinguiana prevê quiz com boa visibilidade e grandes êxitos de harpa


A aquecerem motores para sexta, fomos falar com os Zbroing e saber o que podemos esperar. Tal como esperávamos, fomos bem recebidos, embora a ausência de controlo anti doping não tenha dissipado a dúvida sobre o uso de substâncias ilegais na elaboração de algumas perguntas e respostas.


Entrevistador Eloquente (EE) - Os Zbroing foram das primeiras equipas a introduzir tecnologia pós-moderna e um toque de optimização científica na organização do quiz de cascata. A coisa é para manter esta jornada? Há novidades? Ou visto que já está tudo garantido, este ano utilizaram o método "tudo ao molho e fé em Zbroing"?

Combinado Zbroing (CZ) - De facto, se as pessoas se deram ao trabalho de ler as enciclopédias certas, verificarão que já o Gutenberg se baseou no método zbroing para inventar a imprensa. E não vamos falar da roda, para não criar mais azias. Claro que haverá tecnologia. Pós é que não, que somos uma equipa limpinha e que não recorre a drogas. Moderna, nem por isso - basta ver os bigodes do nosso membro mais velho para se perceber que parámos no tempo. Será uma espécie "tudo ao Zbroing e molho na fé".


EE - Sendo vocês uma equipa bastante diversificada, como é que funciona a organização. Há algum mestre de obras, cada um chuta mais do que sabe ou é uma misturadora tipo Bimby que distribui questões e níveis, etc?

CZ Como equipa democrática que somos, juntámo-nos todos à volta de uma mesa e de um 'ordinateur' (sim, é uma máquina diferente de um computador). Depois cada um apresentou as suas perguntas à moda de um advogado de defesa num julgamento americano. As sugestões menos insultadas pela turba ficaram. As outras também. É possível que, a espaços, possa ficar a ideia de que o quiz foi feito à pressa, já que depois de termos confirmado o título optámos por voltar a incluir as perguntas de ciência, nomes de estádios e ciclismo, que tínhamos excluído do nosso ficheiro inicial "quiz_mamedes_rip.xls"


EE - Cabo Verde tornou-se um destino muito querido para vocês este ano. O vosso quiz terá alguma homenagem a isso ou pretendem expandir-se para outros arquipélagos?

CZ - Já ficou provado que quando o quiz resvala para temas da complexidade de um “Cabo Verde”, a única equipa com a cultura geral necessária para lidar com essa situação é a nossa, portanto, para evitar perguntas a dar a volta à sala repetidamente, optámos por não incluir nada nesse campo.


EE - Os gajos da bola, quando vão para a última jornada já campeões entram em campo com o cabelo pintado, a cara feita num bolo rei e isso tipo de regabofe. Devemos preparar-nos psicologicamente para uns anfitriões estilo Slipknot?

CZ - A única diferença é que, desta vez, livres da pressão competitiva, vamos finalmente poder pedir bebidas à vontade, sem a contenção habitual.


EE - Qual é a pergunta que ficou de fora e tiveram pena de não ter entrado e qual o tema mais fora que decidiram incorporar (ex: Sun Tzu, Rain Tzu, Batidas de orgão Casio, etc)?

CZ - As melhores ideias para a parte escrita como desarmar uma bomba-relógio ou dissecar correctamente um gatinho, foram sucessivamente excluídas por uma ala mais conservadora dos Zbroing.
Teremos uma parte de expressão livre, em que cada pessoa poderá falar 10 segundos sobre os seus sentimentos, e o júri decidirá se eles são ou não aceitáveis.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

AGORA FALAS "TU"

Um anónimo que assina como Eu (que não faço a mais pálida ideia de quem seja!), a pensar seguramente no Natal, mandou uma posta de bacalhau bem gorda para digerir na consoada. Como "Eu" (não eu, mas o outro que escreve como "Eu"), achou que devia mandar para o(s) cascataleaks, aqui estou eu (eu mesmo) a levar a posta à mesa para os meus clientes habituais.



Fernandos Mamedes afinfam-se ao naco





Fontes bem informadas (eu) colocam este blog em condições de afirmar que os Fernandos Mamedes estão desde há várias eras geológicas a prestar atenção às questiúnculas, desafiambranços, baixas médicas, condenações judiciais e licenças de parto dos adversários, com vista à integração no seu grupo de trabalho de dois novos elementos com elevados índices de concretização na área de rigor.

Como será conhecimento dos mais atentos às movimentações e sinergias estabelecidas no seio da equipa Mamedina, esta nunca contou com um sexto elemento fixo nas costas da linha defensiva contrária, optando ao invés por fazer rodar vários atletas, derivado às provas já dadas por estes em amigáveis e pré-estágios — e traduzindo em campo os panachés e baguetes de frango que costumam partilhar entre si, bem como mails engraçados com powerpoints de ovelhas malabaristas que dão de mamar a gatinhos e cãezinhos que afinal até se conseguem dar bem entre si se crescerem juntos.

Esta estratégia de basculamento quizístico foi considerada bem sucedida por fonte directiva bem colocada na mesa Mamédica (eu), que afirmou "não, quer dizer, para mim isto é nomeadamente assim:

O Alex é o Cardozo dos Mamedes, uma espécie de falso lento que só responde com o hemisfério esquerdo do cérebro e acerta que se farta.

A Sofia é o Maxi Pereira (sem a verruga), ríspida nos lances e sempre pronta a subir no terreno, mas facilmente irritável

O Paulo é o Fábio Coentrão, normalmente ocupado a defender atrás mas sempre disponível para fazer arrancadas nas perguntas de desporto e geografia

O Pedro é o Javi Garcia, já que não se dá por ele, mas fornece coesão à equipa e quando arrisca ser feliz consegue o tento

Eu, vá, posso ser o Carlos Martins, uma espécie de trauliteiro que joga em todas as posições e às vezes distribui jogo, mas passa a maior parte do jogo a mandar vir com o árbitro e depois vinga-se estoirando respostas de ciência e nerdalhice do meio campo".

Instado a revelar algo minimamente relacionado com a notícia em causa, a mesma fonte completou com um fraquinho "o jogador rotativo era uma espécie de Ruben Amorim, um polivalente das camadas de formação que sempre que entra ajuda os colegas, trabalhando para o colectivo".

O desmembramento e consequente esfrangalhanço (acompanhado de rotura e desintegração) de algumas alianças do panorama quízico-desportivo nacional levou os Mamedes a reequacionar o seu posicionamento. Efectivamente, a salutar, nobre e desinteressada competitividade Mamedística, conhecida por não permitir aos seus membros desejar mais do que doenças graves aos adversários (e normalmente curáveis) levou a que a respectiva SAD perspectivasse preocupadamente a perspectiva ponderosa e parcialmente pesarosa de ver os mais directos adversários arregimentar valiosos elementos que, por motivos vários, sentiam que as bifanas sabiam melhor do outro lado da Academia (principalmente os Zbroing 747, equipa apreciada pela sua eficaz tradução em campo dos melhores preceitos éticos do Leisure Suit Larry, e os Ordem da Fónix, que apostam mais no Tetris e no Toque-e-Fica).

Felizmente para os Fernandos Mamedes, a sua mística ímpar e uma eficaz rede de olheiros espalhados pelos vários espaços de quiz e/ou desavergonhice da capital garantiram-lhes contactos preferenciais com conhecidos pontas de lança do campeonato da Ajuda: multiplicaram-se assim os insistentes pedidos de joelhos de atletas provenientes de outras formações, que incluiram promessas de não tocar nos flocos de neve e aqueles salgadinhos compridos que parecem paus de mikado, ofertas de boleia para levar o Paulo ao Bairro Alto às três da manhã durante a semana, garantias de risotas alarves sempre que o Jorge (eu) achar que mandou uma piada especialmente boa e até razoável — e, mais importante, garantias de chegar a horas para fazer a parte escrita com o Alex enquanto o resto da equipa está semi-empanada no túnel do Marquês a descobrir que um carro não tem cinco mudanças na marcha-atrás.

Na realidade Mamedificante, a já referida rotatividade do sexto elemento conjuga-se com um outro abandono na modalidade, que em muito empobrecerá o panorama visual das noites na Ajuda: efectivamente, perspectiva-se a transferência da musa Mamedonísta Sofia Santos para o milionário campeonato norte-americano (onde irá também fazer um post-doc por razões humanitárias). Perante este cenário, os responsáveis do clube do eixo IST-ISEG decidiram apostar forte no mercado de Inverno, para inverter uma possível fragilização do seu onze, que ficaria reduzido a quatro.

Assim, este blog está em condições de anunciar que, mal o campeonato presente termine, dois novos elementos dois serão integrados nas hostes Mamedólicas, provenientes das melhores ganadarias culturais e colmatando algumas falhas no acervo de conhecimento da equipa — já de si amplo, vasto, panorâmico, geral, amplo, robusto, titânico, abrangente, eclético, completo, unificador, universal e também universalista, irrestrito, extenso, dilatado, largo, comprido, alto, elevado, rotundo, gordo, e em geral grande.

Instado a pronunciar-se, um elemento técnico com ligações à equipa Mamedófila (eu) recusou-se a avançar de imediato os nomes dos futuros atletas da agremiação, invocando a elevada estrutura moral da equipa, fortes princípios éticos norteadores da sua acção e inabaláveis convicções humanas dos seus elementos: nas suas (minhas) palavras, "não é assim que achamos que devemos estar no quiz".

Não obstante esta posição oficial, existem vozes dissonantes: protegidas pelo anonimato devido ao medo de represálias da omnipresente hierarquia de comando da SAD, estas confidenciaram que outro objectivo da edilidade é, segundo telex recebido de um Palm Pilot ligado a uma cabina telefónica em Lavacolhos, "semear o granel porque é fixe".

Os contactos intensivos com as fontes prosseguem, através de mensagens em código na porta direita da casa de banho masculina da Ajuda, do género "Soraia + Fanã 4ever", contra-senha "Mamo gajos bons 914606809". Assim, aguarda-se uma divulgação rápida de novas novidades em termos de notícias derivadas ao tema.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ponta final época 2010


Antes de mais, da minha parte sai um pedido de desculpas devido à ausência da Crónica de Novembro. Tem sido um mês bastante complicado a vários níveis e isso minou-me a disponibilidade, supondo eu que a coisa também não andou fácil para o resto da equipa do blog, já que também não lhes foi possível ilustrar a vitória dos BMV e a prestação de Rogério, Johnny Ex-Bigodes e sus muchachos.

No entanto, à laia de pseudo redenção, vamos tentar que ainda esta semana saia um pequeno duelo de bitaites com os Zbroing dividido em duas partes, antevisão do jogo e análise do primeiro título.

Para além disso, lá pelo meio das festividades, quando quiserem fazer uma pausa no bolo rei ou vir às escondidas engordurar o teclado enquanto se atafulham de rabanadas, teremos também um balanço variado do ano da cascata.

Antes de tudo isso, mesmo que mais tarde se faça um post específico para o assunto, creio que esta seria uma boa oportunidade para fazer chegar à nova comissão organizadora possíveis sugestões para a organização do campeonato 2011. Já se sabe que depois em Janeiro é tudo em cima e assim, mesmo aqueles que prefiram fazer chegar directamente as sugestões aos membros da comissão, têm aqui (caixa de comentários, mais mail do blog) uma plataforma para dizer de sua justiça.

sábado, 20 de novembro de 2010

CLASSIFICAÇÃO DE NOVEMBRO


1ª vitória de sempre dos BMV c/ Laranja. Torna-se a 9ª (ou a 10ª se preferirem) a juntar-se ao clube dos vencedores. Parabéns!

6ª organização dos Cavaleiros. No primeiro ano (2006), dois elementos organizaram, cada um as duas primeiras jornadas: Hugo Oliveira (com Marlene Franco) e João Silva.

Os BMV c/ Laranja juntam-se à lista depois de... Cavaleiros, mas também de Fósseis, Mamedes, Ordem do Fónix e Espertalhos.

Mamedes e Fósseis/Fónix têm 5 finais em 6 possíveis. Mamedes são os "reis" dos Cavaleiros com 5 podiuns. Fósseis/Fónix têm 4.

Só Zbroings e os próprios Cavaleiros alcançaram mais que um podium (2 cada), embora "metade" dos BMV... também.

Os BMV c/ Laranja e os Lagartixas fizeram o pleno de finais: 3. Os Ambite também, mas só com duas participações.

Campeonato:

Zbroings são campeões a uma jornada do fim. Muitos parabéns a eles!

É a 4ª vez consecutiva que o campeão é encontrado em Novembro. Só em 2006, foi preciso chegar à final da última jornada para definir o campeão.

Mamedes também são virtualmente vice-campeões (a menos que faltem em Dezembro). E é a 3ª vez consecutiva que o 2º lugar fica definido (considerando que as equipas não faltam).

Já para o fecho honroso do podium, os Espertalhos terminarão com a medalha de bronze se acabarem em Dezembro nos 4 primeiros lugares. No 5 ou 6º lugar, se Cavaleiros não ganharem. Abaixo disso, têm que esperar que os Cavaleiros não terminem nos dois ou três primeiros lugares (consoante 2º ou 1º nível) e/ou ainda que Ursinhos não ganhem.

Para a Liga Europa, entre o 4º e o 7º, tudo (mas mesmo tudo) é possível! E como diz o outro, é só fazer as contas.

Feios Porcos e Maus consolidaram a organização para o ano e só aguardam para saber qual a sua posição entre o 7º e o 9º.

Mais para baixo, ainda está tudo em aberto. A Unidade 101 tem praticamente garantida a organização para o ano (independentemente de possíveis desistências), pois era necessário que quatro das equipas imediatamente abaixo chegassem à final. Não é impossível, mas é extremamente difícil.

Mas para as restantes, qualquer lugar na final pode chegar para ficar nos 11 primeiros. Embora Folie à Cinq necessite no mínimo de um 5º lugar (tem vantagem em caso de empate, sobre qualquer um) e mesmo assim pode não ser suficiente. Nnaped e P2U/Duracell necessitam de uma noite de glória entre os dois primeiros.

Records

BMV c/ Laranja alcançam a 4ª final num ano, igualando 2009. Terceiro podium num ano, constitui o melhor registo.

Ursinhos e Ordem do Fónix partem para a última jornada sem terem conquistado uma vitória este ano. Se os Ursinhos só não ganharam em 2006, já para a Ordem é uma situação absolutamente inédita.

Mamedes e Zbroings passam a ser as equipas com mais finais consecutivas, actualmente: 6

Zbroings concluem o campeonato, igualando o seu maior nº de finais: 8 (alcançado também em 2008). São os campeões com menor nº de finais, igualando os Mamedes em 2006. E também os campeões com menor nº de podiuns de sempre: 6.

Feios Porcos e Maus alcançam a 3ª final consecutiva, o que não sucedia desde Maio de 2009. O seu melhor registo é de 4, alcançado em Junho de 2008.

Os Frikadælløs ficam pela 2ª vez em 20 participações pelo 2º nível! Geralmente quando passam o 1º nível, chegam à final.

Os Espertalhos continuam a ser a equipa que há mais tempo passa o 1º nível: 15

Os Defenestrados mantêm-se como a equipa que há mais tempo não vai à final e, coincidentemente, que não passa o 1º nível: 10.

Ranking:

Como organizam em Dezembro, Zbroings vão manter a pontuação deste mês, e consequentemente acabam o ano em 1º lugar no ranking de 5.

BMV c/ Laranja dá um salto e regista agora a melhor posição de sempre.

Feios Porcos e Maus saltam para os 6 primeiros lugares, pela sétima vez desde Julho de 2009.

A Ordem do Fónix deixa os 6 primeiros lugares pela 2ª vez, desde Dezembro de 2008.

E agora duas perguntas para coca-bichinhos das estatísticas:

1ª - Excluindo as organizações de 2006, só duas equipas organizaram sem nunca terem chegado a uma final antes (incluindo as prestações de 2006). E só uma destas, nunca esteve numa final. Quais são as equipas, e destas qual nunca chegou a uma final?

2ª - Incluindo as organizações de 2006, qual a equipa a que mais finais chegou, antes de organizar pela primeira vez? (pode nunca ter organizado ainda)

Também poderá ajudar, dar uma vista de olhos no blog quizdecascata. O link está à direita.

Respostas para o mail quizadas@gmail.com. Os 3 primeiros a responderem certo, levam uma pequena lembrança em Dezembro.

E é tudo. Até para o próximo mês!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Previsão apocalíptica em cavalgada à boca das urnas

Conhecendo eu o Rogério desde os seus tempos de petiz de longos cabelos e devoção especial por Rao Kyao, não me foi difícil falar com ele sobre uma curta antevisão do quiz que os seus Cavaleiros vão organizar hoje.

Melhor ainda, conhecendo-o assim tão bem, isentei-o de imediato de responder às questões que lhe coloquei, oferecendo-me para responder por ele. Afinal de contas, estou apenas a seguir a moda dos exercícios literários tipo “conversas com Deus” e outros tipo de personagens com a mania das grandezas. Além disso, dificilmente ele conseguiria ser tão sincero como eu sou a responder por ele.

Do campeonato


Roger, se puseres uma peruca de Nuno Rogeiro e usares uma cassete do Luís Freitas Lobo, como analisas o campeonato até agora, passando obviamente pelas organizações dos jogos e da luta pelo título?
Bem, no mapa do contexto geo político estratégico, o pressing intensivo das grandes potências continua a verificar-se e é impossível aos pequenos players vincarem a sua diferença, pelo menos no curto prazo. As organizações revelaram essa mesma instabilidade, fruto por vezes da ausência de uma táctica eficaz em termos de quiz moderno, sem terem a atenção devida em termos das cambiantes estratégicas e também da paixão que é necessária para levar as coisas a bom porto.


Para o ano, para além da edição dos "Grandes vídeos e ritmos de conga" do João Silva, o que gostavas de ver implementado no quiz de cascata?
Um quiz de cascata drive in seria divertido, especialmente pelas possibilidades que oferece em termos de atropelamento e fuga.

E esta modinha do quiz vir nos meios de comunicação. Achas que vai atrair público de qualidade ou as hipóteses de sermos abordados por gente estranha vai aumentar?
Estamos na Ajuda e em plena Academia, por isso gente estranha será certamente coisa rara. Creio que faltará pouco para um Prós e Contras sobre a proliferação do quiz e aí, temos no nosso seio intervenientes habituados a gritar para fazer valer opiniões, gritar a pedir comida e álcool e a gritar só pelo simples prazer de gritar, pelo que não temos nada a temer.


Dos Cavaleiros

Um começo em grande e uma queda igualmente em grande a meio do campeonato. É essa a sina dos Cavaleiros ou é apenas uma forma estranha de se divertirem?
Creio que o nosso problema foi sempre uma focagem mais intensiva na parte do Apocalipse do que na da Cavalaria. Por isso, mais do que diversão estilo Crash, temos de lidar com o chamado castigo divino, como costuma dizer o Fernando, que teve a sorte de conviver em pessoa com três dos quatro autores dos Evangelhos do Novo Testamento.


Com mais um ano de resultados que possivelmente ficam algo abaixo das vossas expectativas, o que diz o futuro: para o ano é que é ou começam a ponderar a ideia de irem espalhar a morte, a guerra, a fome e a pestilência por várias equipas?
Isso são questões que não gostaria de abordar nesta altura, até porque ainda não definimos a nossa tabela de preços, na eventualidade de uma liquidação total de Cavaleiros em stock. No entanto, o Fred está já a trabalhar num filme que falará sobre a história da nossa equipa e consoante lhe dê mais jeito que o final da coisa seja uma comédia ou um drama, logo decidimos o que fazer.



Da organização da jornada em si

Como referi anteriormente, Já nos conhecemos há muitos anos e não é segredo o teu entusiasmo por ikebana. Vai ser desta vez que sacas uma cascata do tema para fazer o teu próprio Sun Tzu ou tens outras ideias na manga?
É curioso que fales nisso, embora me emocione sempre ao falar em Ikebana e sabes bem que não gosto de chorar em entrevistas falsas. Posso ainda adiantar que estou também a fazer uma cascata de Sun Tzuning, em que saem perguntas sobre assuntos bélicos, carros quitados e assaltos a bombas de gasolina.

Usando um nome de um filme, como defines a contribuição dos membro dos Cavaleiros para esta organização?

Rogério – Spartacus (não tanto no sentido épico grandioso, mas mais porque gosto de usar armaduras de couro enquanto estou a escrever perguntas)

Johnny Bigodes – Fuga para a vitória (pelo enquadramento desporto, guerra, política e táctica ao nível de um Stallone à baliza ou o Pelé a fazer de tobaguenho)

Fred – A Beautiful Mind – Não tanto pela mente em si, mas mais porque ele é obrigado a inventar muito nas pontuações que vai anotando, criando fórmulas fictícias que nos colocam sempre na fase final, mesmo quando saímos no primeiro nível, qual John Nash de trazer por casa.

Pascoalinho – Chamavam-lhe o Bulldozer com Bud Spencer. Aqui fiquei indeciso, pois o António é um cinéfilo de primeira e não é fácil. Não entanto, o paralelismo entre o personagem de Spencer, atleta que virou pescador que volta depois a atleta, em cenário de elevado requinte e subtileza e o paralelismo do cinéfilo que virou quizzer sem deixar de ser cinéfilo era por demais evidente.

Fernando – The Birth of a Nation – Não só porque foi ele que aconselhou o Griffith em relação ao título do filme, como este é do signo Aquário, o que pode justificar o facto de um dos posters do filme ter um cavalo, a sua peça favorita no tabuleiro de xadrez.


Finalmente, qual foi aquela pergunta que esteve até à última para entrar e, com grande pena tua, tiveste de retirar?
Que afamado praticante de quiz de cascata, criou a famosa resposta standard “Boceta de feijão” utilizada em perguntas que não lembram ao demónio?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quiz chega à TV

Parece que o quiz está cada vez mais na moda e não nos referimos ao estilo Outono-Inverno dos jogadores. Depois do Jornal I, chegou a vez da SIC dedicar uma peça a esta bela modalidade e onde não faltam intervenções de alguns habitués da Cascata.
O cenário foi o Domínio Público, mas creio que já não faltará muito até termos um canal no Meo e transmissões em directo da Academia.

Até lá, vamos ganhando tempo de antena.

sábado, 13 de novembro de 2010

Reportagem do "i"

Já atrasado, mas cá vai então a publicação do artigo no jornal "i" a 28 de Outubro de 2010 pela jornalista Maria Espírito Santo. Para quem não leu, leia agora. Para quem leu... releia.


As sessões de quiz em Lisboa estão para durar. Esta máfia adora ser interrogada

Noite, fumo, cerveja, perguntas. Não é uma reunião suspeita: o Quiz de Cascata, na Ajuda, tem mais de 90 participantes e é um dos muitos da cidade. Fomos a uma sessão.


"Eu sei, eu sei esta! E tu, tu também sabes", insiste Jorge Napoleão enquanto os outros membros do grupo olham para ele, pensativos. A tensão instala-se: uns encostam a mão à boca, outros franzem o sobrolho e há ainda quem dê safanões na mesa em tom de indignação.

Hoje é dia 16 de Outubro, a terceira sexta-feira do mês. Não há que enganar: é noite de Quiz na Tapada da Ajuda, em Lisboa, e vai durar até de madrugada.

Lembra-se daquelas longas noites passadas em família a jogar Trivial Pursuit ou Pictionary? É mais ou menos este ambiente que os bares com Quiz pretendem recrear. Os chamados "pub quiz" nasceram no Reino Unido e parece que ainda fazem sucesso por estas bandas. Umas perguntas de cultura geral, na companhia de amigos, com cervejas, petiscos e outras tantas gargalhadas pelo meio, parecem ser a receita ideal para uma noite bem passada.

Mas quizes há vários e este, que se realiza uma vez por mês na Ajuda, é de Cascata. A Academia Recreativa da Ajuda é o local que cede uma das suas salas para a realização do jogo. De paredes verdes e bandeira de Portugal pendurada, a Academia tem a porta aberta, disponível à entrada de qualquer um. Mas quem se passeia pela Academia são na sua maioria caras conhecidas que estranham a presença de convidados.

"Já faço o Quiz de Cascata há dois anos e Quizes no geral, há cerca de três anos e meio" explica Jorge Napoleão, advogado, de 42 anos. "Eu vim uma vez porque uma amiga precisava de uma pessoa para o grupo e a partir de aí, passei a vir sempre" conta Joana, farmacêutica." "Eu, eu estou cá pela primeira vez", acrescenta outro membro do grupo. Estes são os "Unidade 101". O nome é inspirado na obra "1984", do escritor britânico George Orwell. Mas as conversas ficam para depois. Iniciou-se a sessão. Dois papéis são entregues em cada mesa, as cabeças urgem para o centro e começam a saltar os palpites.

A primeira fase do Quiz de Cascata é escrita. A cada grupo é entregue uma ou duas folhas com ilustrações e várias perguntas. Seguem-se as perguntas orais, que são dirigidas em específico para cada grupo e têm três níveis de dificuldade. Em cada nível existem seis cascatas, três ascendentes e três descendentes. Tradução: se um grupo não souber a resposta à sua pergunta, ela passa para o grupo anterior ou para o que está a seguir (isto dependendo se a cascata é ascendente ou descendente). à medida que se vai subindo de nível, as equipas vão sendo eliminadas. Vários temas são abordados: desde política, a geografia, cinema, música ou até fofoquices de revista cor-de-rosa.

A sala onde se realiza o Quiz, de paredes brancas e chão de tijolo, já foi um dia utilizada para outros talentos. Lá ao fundo pode-se avistar um palco com vários cenários caídos e um banco de jardim ao centro. É no canto do palco que estão as pequenas recompensas da noite: avistam-se garrafas de vinho e caixas de biscoitos. Hoje, a sala está cheia, barulhenta e atarefada: 16 mesas ocupam o espaço. Cada mesa pertence a uma equipa que não pode ter mais de seis elementos. Se tiver, pode participar no jogo, mas não pode ganhar: faz parte das regras.

João Silva, professor de Educação Física e membro da Junta de Freguesia da Ajuda foi o organizador deste Quiz. "Costumamos começar às 22 horas. Hoje está a haver um pequeno atraso, deve ser pelo trânsito", explica. João Silva também organiza Quiz noutros locais, como no Domínio Público, um bar perto da Praça de Touros, no Campo Pequeno.

Eles estão espalhados por Lisboa, nos sítios que menos espera. Nos bares com Quiz pode encontrar um amigo ou até um familiar. Desde advogados, a médicos, estudantes, farmacêuticos, hospedeiras, engenheiros, bancários ou jornalistas, todo o tipo de gente se junta para testar o seus conhecimentos. "São pessoas que acima de tudo gostam de conviver", confirma Rui Maçarico, gerente do Domínio Público. Aqui não só é realizado o Quiz em Cascata como também o dito normal. As equipas têm de responder por escrito a 50 perguntas de cultura geral que são projectadas nos plasmas espalhados pelo bar. Para participar, basta contactar o Domínio Público e reservar uma mesa ou então aventurar-se sozinho e esperar que um grupo aceite a sua participação.

Em Cascata ou normal o quiz é sempre para conviver. Organizadores e participantes concordam que é boa maneira de passar a noite. Rir com os amigos, advinhar, errar, acertar e festejar. Rui Maçarico conclui com um sorriso: "O melhor quiz é aquele em que tens a resposta mesmo na ponta da língua."

Por isso, a próxima vez que o seu marido, filho ou filha chegar a casa bem disposto e a cheirar a tabaco, não pense o pior. "Passei a noite num quiz!" não é uma desculpa esfarrapada.