quinta-feira, 17 de junho de 2010

Da Ordem, do Balanço e do Quiz de Amanhã

Tendo em conta a jogatana de amanhã, o Zé Pedro fez uma pausa do sorteio de respostas aleatórias para o quiz que a Ordem do Fónix está a preparar e deu-nos uma perspectiva do campeonato até agora e também do jogo de amanhã.
Aproveitando um vazio legal, vamos avançar desde já que não podemos ser processados pela publicação da entrevista.


Balanço do campeonato, a meio do caminho

O jogo da Ordem do Fónix marca o meio do campeonato. Como é que têm visto as organizações até agora e, traço geral, o campeonato?

É como no circo: há organizações e desorganizações. Temos visto pouco porque os meninos bonitos vão fazer ó-ó bem cedo…
Sobre o campeonato, acho que o Benfica se fartou de ganhar, foram 4-1 aos lá de cima, no basquete; que se lixe, tenho de tirar esta pergunta!
De resto, só mudam as moscas. Surpreendentemente!!!!!! as seis equipas da frente são as mesmas do ano passado, com a ordem quase invertida. Quem diria?


Na época passada a Ordem do Fónix sagrou-se vencedora graças a uma consistência de resultados ao longo da época. Este ano as coisas estão um pouco mais difíceis. A engrenagem está enferrujada, o alinhamento planetário não tem sido favorável ou, pura e simplesmente, há uma cabala em curso?

Quanto à consistência dos resultados, é sempre a mesma: temos os pontos correspondentes às classificações. Continua a ser tudo fácil, excepto a fumarada dos charutos do Pedro Bonniz. Este ano levamos com anestesia geral para a cirurgia plástica; após a convalescença tudo será diferente.
Já me lixaste mais uma data de perguntas! Já não posso perguntar o que é uma engrenagem, quais são os planetas alinhados em Dezembro nem quem anda a comer cabala grelhada.
No que respeita ao curso, sim senhor; já encomendámos os diplomas.
E não é ferrugem; deve ser a PDI, ou droga nos rebuçados de papel vermelho.


Com os suspeitos do costume a organizarem todos na 2.ª parte da época, quais consideram os principais candidatos? Ou isto até agora foi a brincar e na segunda parte os Fónix vão meter ordem na coisa?

Candidatos, até agora, são o senhor que cospe bolo rei, o que massacra lebres e o bom samaritano dos terramotos.
Raisupartiça!!!! Esta pergunta não tiro!
Ordem? Mais uma! Também não tiro esta.
Para mim uma Ordem de Santiago, que já temos duas Torre e Espada, uma de Avis e outras minudências.
Meter na coisa?.. faz-se o que se Pode.



Cascata? É já amanhã, Fónix.

Com a vossa vasta experiência em organizações, podemos esperar uma cascata tradicional à moda antiga ou vão arriscar algumas inovações?

A Experiência não tem servido de muito. Ganham sempre os concorrentes directos.
Inovações? Quem tem pachorra para isso? A única alteração que faremos é começar pelo 3.º nível, com equipas sorteadas (ou as sobreviventes de 30 rodadas de bagaço em copos de imperial); no 2.º nível participam as que conseguirem comer mais bifanas; no 1.º podem comparecer familiares até ao 5.º grau.


Foi uma organização da Ordem como colectivo ou foi necessária uma partida de chinquilho para decidir quem seriam os cabecilhas deste jogo em particular?

Isso dos cabecilhas é piada baixa? 头目 para ti também.
O chiquilho foi à melhor de sete, em poule, com desempate através de corrida ao pé-cochinho.
As perguntas escabrosas, com respostas duvidosas, foram todas feitas por mim, as outras choveram de toda a equipa mas eu é que escolhi as respostas – é que algumas estavam certas.


Há sempre um grande debate em torno dos temas, do facto de haverem ou não cascatas temáticas e até da dificuldade dos níveis. Queres levantar um pouco do véu em torno do que está a ser preparado da vossa parte? Será necessário levar o Manual das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico para consulta?

Grande debate? Deu na SIC? Os temas são os do costume: gastronomia chiita, fauna da tundra, ribeiras da Sibéria, compositores escandinavos pré-históricos, literatura infantil do Quirguistão e bons filmes portugueses.
Manual das Oficinas Gerais não direi, mas que vai ser preciso saber as rotações das turbinas de todas as aeronaves da FAP, ai isso vai!
Quanto ao véu, só depois do casamento.


Estamos à espera de uma organização rigorosa e tu já avisaste - 22.30 folhinhas na mesa e tempo a contar. Tirando o granel do costume, há alguma penalização ponderada para equipas que usem vuvuzelas?

As vuvuzelas são bem-vindas. No meio da barulheira podemos dar pontos a quem quisermos, aceitar respostas erradas, mandar á … quem protestar e sair com a guita sem dar nas vistas.
Isso do rigor já anda a fazer chegar a mostarda ao nariz! Para contrariar, vou colocar as folhas às 10:31! Leiam o Regulamento.
Agora, a brincar: há cascatas temáticas, e até já disse qual era um dos temas.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Crónica da Jornada de Maio

E da noite fez-se um quiz freak.

Na noite da última organização estreante do ano, acumulavam-se algumas expectativas. Não só os Friekadellos tinham conseguido bons resultados na sua época de estreia, como a formação da sua equipa não deixava antecipar que tipo de jogo teríamos. No entanto, como diria um dos seus elementos “Alt, hvad vi gør, er at give glæde til disse cirkusartister”. E, assim sendo, só os Valentejanus e os Power2U é que não tiveram oportunidade de o comprovar.

Na parte escrita, tudo feito ao freak



A parte escrita foi, a meu ver, engraçada e diversificada. Sempre com um toque freak em diversas perguntas, algumas delas com uma pitada de humor, permitiu que esta fase fosse o aquecimento que é suposto ser. No entanto, pecou pela estruturação da sua correcção ou, se não foi um conjunto de ambas, alguma desorganização na correcção. Feitas as contas, em termos de tempo de jogo, demorou quase tanto tempo como o nível 1, que é por norma o mais moroso.
Quando não se vai pela simplicidade de 1 pergunta = 1 ponto, terá que se ter pelo menos a agilidade organizativa para suportar isso. Quanto mais complexo for o sistema de pontuação, mais isso se reflecte na correcção e possíveis polémicas.

No entanto, o balanço ainda era positivo e só 3 equipa fizeram menos que 50% dos pontos em jogo. Cavaleiros, como vem sendo hábito, saíam na frente, seguidos por Espertalhos, Mamedes, Zbroing e Indomáveis. No entanto, o equilíbrio era a nota dominante.
Foi também nesta fase que surgiu a polémica EDP, com a dúvida sobre se seria aceite “Energias” ou “Electricidade” de Portugal. Na altura, as coisas pareceram resolvidas a contento, mas em futuras ocasiões, como será referido mais à frente, será melhor que tudo se clarifique nesse mesmo nível.


Não mexe, não respira, já está.



O nível 1 decorreu a bom ritmo, com Luís “Ciências” no mic a confirmar as boas indicações que já tinha deixado nos seus tempos de Zbroing. O quiz foi “afinado” para ter um primeiro nível fácil e, como sempre, quem falha directas ou já traz algum atraso da escrita, sujeita-se a um sabor amargo ou a ter que suar muito. As temáticas foram variadas, com alguns focos, assim como algumas áreas mais esquecidas, como pareceu ser o caso de algumas Artes (Literatura inclusive) e do Desporto.
No entanto, não foi aqui tão notório uma montanha russa de dificuldade de mesa para mesa, havendo pelo menos algum cuidado para que as coisas não descambassem de início. O que é melhor do que ter temas convencionais e oscilar perigosamente na dificuldade dos mesmos e na sua distribuição.

Várias equipas atingiram 5 e 6 directas e, das que passaram ao 2º nível, só duas é que tiveram apenas 4 (Golfinhos e Zbroing), beneficiando das cascatas para se chegarem à frente. Os Cavaleiros seguiam a bom ritmo, acompanhados por uns surpreendentes NNAPED, que certamente inspirados por Jesus e Bento XVI, iam fazendo uma noite bem acima do que já tinham mostrado esta época. No resto, muito equilíbrio, com os BMV c/ Laranja a fecharem desta vez a porta do lado certo.

A Unidade 101, apesar de 5 directas, nem uma cascata viu e ficou de fora do apuramento por uma unha negra, tal como os Feios, Porcos e Maus. Folie, Irmandade, Defenestrados e Lais não tiveram sorte com este lado mais freak do quiz e também se ficaram por esta fase.


Um eléctrico chamado nível dois



Na sua génese, o nível dois foi claramente mais duro que o nível um que, pela sua facilidade, talvez não deixasse antever uma escalada tão acentuada. Subiu a dificuldade face ao nível um, mas ainda assim manteve jogabilidade. As temáticas mantiveram-se nas mesmas áreas que o primeiro nível e o número de perguntas a dar a volta (12) deu a entender que, possivelmente, as áreas de mais enfoque dos organizadores nem sempre foram muito apreciadas pela sala. No entanto, a distribuição da dificuldade manteve-se minimamente acertada e, deste modo, o equilíbrio e a emoção não se perderam. Os Espertalhos, com 50% das suas directas a darem a volta à sala, foram o reverso da medalha nesse aspecto.

Os Zbroing saíram na frente neste nível, muito graças às sete cascatas que somaram. Muito se falou de afinidades, mas isso parece-me natural entre pessoas com formação/interesses semelhantes. Em muitos outros quizzes, fossem eles focados em cinema, apanha do camarão ou em variedades de jindungo calhou a outros, por isso faz parte da parcialidade natural que existe em grande parte dos jogos. Espertalhos aguentavam o forte e mantinham-se na perseguição a par dos Mamedes, seguidos de muito perto por NNAPED (a continuar a sua boa jornada), Cavaleiros (que suaram muito para passar, depois de terem passado ao lado do nível) e Ursinho, que foram segurando a posição numa noite que lhes poderia ter sido mais adversa.

Golfinhos perdiam aqui o gás e a passagem ao terceiro nível, tal como os BMV c/ Laranja e os Indomáveis, que perderam assim a oportunidade de manter a toada da última jornada. A polémica estalou com o primeiro dos eliminados, os Fónix, que pelas suas contas, dada a confusão da primeira fase com a EDP, deveriam passar.
Confrontada com esse facto, a organização não foi célere a resolver o assunto, o que fez com que este nível tivesse quase uma hora e meia. Sai não sai, saio eu, sais tu, agora já não saio, afinal sais mesmo. No meio desta confusão, pouco descodificável dado que já estávamos a falar de algo passado dois níveis atrás, prevaleceu a saída dos Fónix, sendo-me impossível saber quem tinha razão. Suponho que a organização tenha feito o mais correcto, mas…

O ponto aqui a ter em conta é - se há uma reclamação a fazer, a mesma tem de ficar validada no momento em que é feita. Coisas pendentes, com equipas a sair pelo meio e a já não se poder dar a volta atrás, não dão certamente o melhor resultado.



Sr. Norgay à porta Freak, Sr. Norgay à porta Freak. Última chamada para o vôo Zbroing.



Chegados ao nível três, já passava um quarto de hora das duas da manhã, ainda estava tudo em jogo. Do primeiro ao sexto lugar, todos tinham hipóteses de ganhar, com apenas três pontos a separar toda a gente.

O nível não foi dos mais complicados que já vimos. Dezasseis perguntas a dar volta foram uma redução face às últimas jornadas e a curiosidade de só terem sido acertadas duas directas, uma delas um clássico intemporal. Os Ursinho foram claramente os outsiders neste último nível, ficando pelo 6º lugar, ao passo que os NNAPED fecharam uma jornada em grande num lustroso 5º lugar. Espertalhos e Cavaleiros lutaram até à última pergunta pelo último lugar do pódio, que viria a ficar na posse destes últimos, guiados pelo mítico Tenzing Norgay, que lhes valeu dois pontos de bandeja na última cascata.
A luta pela vitória deu-se entre Mamedes e Zbroing, com esta equipa a mostrar que não há cascata que não dê em fartura e a sacarem mais cinco para fechar a jornada na liderança.

Numa conclusão geral, foi uma jornada positiva, com muita luta, equilíbrio e animação até ao fim, como acho que deve ser uma jornada de cascata, ao invés de chegarmos ao terceiro nível com vencedores quase antecipados e pouco ou nada por decidir. É certo que o processo organizativo não foi perfeito, com algumas falhas a apontar, mas é muito mais desculpável neste caso por ser uma equipa estreante. As temáticas não foram consensuais e há clara margem de manobra para melhorar, mas viu-se que houve gosto dos organizadores em fazer um quiz jogável e o mais equilibrado possível.
Estou certo que vamos ver jogos melhores esta época, mas também não será difícil vê-los mais desequilibrados e menos interessantes o que, só por si, já é uma boa conclusão para um serão freak.


PS - Na impossibilidade do Quizadas, vamos pôr subcontratados a bulir no Excel para actualizar as coisas como deve de ser.

terça-feira, 25 de maio de 2010

CLASSIFICAÇÃO DE MAIO (Definitivamente)



Desculpem o atraso!!!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O que esperar do jogo de amanhã?

Na sequência da troca de bitaites com o cabecilha dos organizadores, eis o que podemos avançar em relação ao que se espera para a cascata de Maio.



Jogo de estreia, em época onde ainda não houve um jogo mais consensual em termos de agrado do público. Mais pressão para vocês ou assim é mais fácil superar expectativas?

[LM] Pressão não há. Nos anteriores jogos do Quiz deste ano aconteceram alguns erros, sobretudo de apresentação, mas eu não diria que foram maus quizzes e muitos deles, se não fossem pequenos pecados, podiam ser quizzes mesmo muito bons. Mas como a minha mãe diz, sou boa boca. Ao senhor que me espetou a cabeça de cavalo na cama, quero agradecer-lhe porque, na grelha, com umas batatinhas a murro e um tintaço da Vidigueira, aquilo marchou que foi uma maravilha.

Qual foi a vossa estratégia a delinear o jogo, é um jogo de equipa ou alguém se abarbatou ao mesmo? Houve uma matriz e uma preparação cuidada ou a nuvem de cinza tem complicado as coisas e tem sido um salve-se quem puder?

[LM] Não obstante ter participado sobretudo numa organização dos Zbroing, esta foi uma primeira vez, com tudo o que de bom e mau acarreta. Penso que houve alguma dose de organização e tentámos evitar aquelas perguntas das datas ou de quantas pernas tem a centopeia. Mas nenhum cuidado adicional em especial, logo espero ter direito a insultos ocasionais. J kudos especial aos senhores Zbroing, que nos vão emprestar o programa de visualização das perguntas.

Há alguma preponderância de temas ou é um jogo all-around? E quanto a inovações, alguma coisa extraordinária, tipo "Manjares da Escandinávia" ou vão ser conservadores na matéria?

[LM] Pá, dada a vocação multinacional da equipa, queremos inovar – até porque nos parece oportuno, dada ser a primeira vez, aproveitar e fazer algumas experiências, porque decerto que ninguém leva a mal. Assim, a parte escrita vai ter perguntas em várias linguas, o nível 1 será só sobre o hemisferio norte, o 2 sobre o hemisferio sul e o 3 sobre o espaço. As ultimas cascatas de cada nivel vão ser estilo “quais as palavras seguintes na musica...”, mas com versões dos sucessos da Eurovisão remixados em speed-malhão . Vai mesmo ser um quiz inesquecível.

4 - Qual o melhor conselho que poderias dar a quem vai jogar na sexta? E um bom concelho para quem quer passar férias cá dentro?

[LM] Ler jornais não ajuda tanto. Visitem o Concelho de Tomar, cidade templária, e vão à casa das ratas – há boa morcela.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Freak a qualquer coisa na primeira pessoa

.Antecipando o jogo da próxima sexta, aproveitámos para dois dedos de teclado com Luís "Ciências" Martins, um dos cabecilhas dos organizadores e também um dos seus elementos mais experientes. Na primeira parte desta conversa, vamos dar a conhecer um pouco melhor a equipa, para num segundo momento falarmos do jogo em si.


Depois de uma época de estreia em bom plano, como se compõe o plantel dos Freakadellos para esta época? O epíteto maldoso Zbroing B tem razão de ser?

[LM] (Correcção a priori – Frikædelløs e não Freakadellos) Este epíteto descreve de forma abrangente a nossa abordagem a temas tão importantes como a produtividade, a longevidade e a nossa relação com o sofá – queremos acreditar que a fidelidade aos nossos principios caracteriza a forma como vivemos.

Assim, Os Frikædelløs são uma equipa composta por um ror de criaturas que partilham seis nacionalidades - das quais o mais exuberante é sem duvida o Erik (que como os habitués sabem, é filipino e anão) – mas onde também ululam italianos, franceses, britânicos, macedónios, alentejanos e cabo-verdianos que, à medida das suas possibilidades e carcereiros, vão participando alternadamente.

Só por esta vocação de refugiar quizzolicos expatriados acho que granjeámos alguma identidade no Quiz Cascata. Não obstante, três de nós jogaram nos Zbroing, pelo que há sempre um cordão umbilical a ligar-nos e obviamente que as nossas portas estão abertas para todos os colegas dessa equipa que se queiram juntar a nós..


O ano passado vocês alternaram boas prestações e finais, com saídas no 1º Nível. Este ano pretendem regularizar a coisas por cima, por baixo ou ainda vão decidir?

[LM] Por baixo, claramente – só conseguimos uma equipa completa (ainda 5) nas duas primeiras edições. Aliás, eu consigo ser ainda mais choramingas - a partir daí, entre nuvens de cinza (na ultima sessão roubou-nos 3 membros), casamentos, baptizados, trabalho, ressacas e outras viagens, há um rol de cenas altamente fixe para justificar a nossa posição no campeonato. Pelo que o objectivo este ano é acabar nos 10 primeiros – bamos a ber.


A origem do nome ficou a cargo do dinamarquês ou é uma versão entaramelada de um êxito dos Foreigner?

[LM] A decisão foi tomada em grupo (a par doutros nomes tão inspirados como “Chelsea FC” ou “Asdekávir”) e ocorreu enquanto discutíamos o tema num elevador com espelho. Reflectimos e foi fácil ver almôndegas dinamarquesas na nossa vida.


Por falar em dinamarquês, quem é o tradutor oficial do mesmo durante o jogo? Não há uma espécie de feeling Richard Attenborough em versão documentário, que vos pode prejudicar na concentração?

[LM] Pá, o mais das vezes sou eu. O que de facto prejudica. Mas mais importante que os resultados, é a malta gostar – e o Erik até está em aprendizagem, daqui a uns dois anos é auto-suficiente... Até lá, jogamos como equipa.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Crónica do Jogo de Abril - Organização BMV c/ Laranja




Já se sabia de antemão, iria ser um quiz de autor. E, numa sexta-feira cascateira onde não faltaram sequer os tradicionais momentos de chuva, voltaram a comprovar-se as venturas e desventuras deste tipo de quiz. Provou-se também que os vulcões islandeses não facilitam as ligações aéreas para os praticantes internacionais de quiz de cascata.
Traço geral, salvo breves momentos, o quiz dos BMV c/ Laranja e, mais propriamente, do Nuno Vitoriano, foi calmo, com uma condução atempada e sem grande granel. Teve emoção até ao fim, com uma recuperação épica a cargo dos Mamedes, que fizeram do 3º nível uma rampa de lançamento para uma vitória que poucos poderiam prever no final do 2º nível. No entanto, pecou nalguns aspectos por ser aquilo que disse no início – um quiz de autor. E, quando assim é, há um grau de dificuldade bem maior ao estruturá-lo.

Como de costume, vamos por partes.


Il y a du bon pain, de la viande et d’une part écrit



Com duas equipas ausentes, Irmandade e Power2U, a parte escrita não levantou grande celeuma, apesar de divergir do formato mais básico 10 perguntas = 1 ponto cada resposta certa, sem acertos. Embora apenas alguns pelintras menos patriotas possam ter tido dificuldades em distinguir insígnias militares, malvadez só mesmo pedir os nomes em francês dos personagens do “Era uma vez o Homem”.
Os Lais da Carangueija saíram na frente, com uns promissores 8 pontos. No pelotão o equilíbrio era a nota dominante, com as pontuações a oscilarem entre os 3 e os seis pontos.


Os perigos do equilíbrio




Às 23.30 começava o nível um, com os principais favoritos a tentarem garantir um bom arranque e outras equipas a tentar dar novo alento à sua época. As primeiras perguntas mostraram que este iria ser um primeiro nível acessível, mas a distribuição da dificuldade pelos temas que foram saindo tornou a coisa menos uniforme. E, quando um nível é desenhado para ser acessível, quem não acerta quatro directas tem a vida muito dificultada para passar de nível, sendo os Golfinhos os únicos a passar com apenas três directas. Enquanto algumas equipas se banqueteavam com cascatas, beneficiando do seu à vontade nalguns temas e posicionamento geo estratégico, noutros casos a sobrevivência era difícil.
Na frente, os Ursinho levavam a dianteira, seguidos por uns Indomáveis a um nível ainda não visto esta época e por uns Fónix a precisar de acelerar o ritmo para manterem o seu estatuto de campeões. Do lado oposto, NNAPED, Feios Porcos e Maus e Freakadellos eram vítimas iniciais, assim como os Valentejanus, que não deram seguimento à final do mês passado, os Defenestrados e os Lais, que podem ter contribuído para alimentar o mito de que a equipa que melhor se safa na parte escrita é uma séria candidata à eliminação no primeiro nível.




Os mistérios de Sean Connery




Embora o primeiro nome de Sean Connery permaneça ainda um mistério para muitos, o segundo nível do jogo dos BMV c/ Laranja não constituiu propriamente uma surpresa. Em termos de temas, a matriz do Nuno revelou algum foco específico em determinadas áreas, sendo o problema a apontar aquele que já foi definido – o isolamento que define um quiz de autor. A amplitude temática não só, por norma, é mais reduzida, como a capacidade de nivelar a dificuldade aumenta exponencialmente. E se, traço geral, o segundo nível não foi dos mais exigentes que já assistimos esta época, com apenas sete perguntas a darem a volta à sala, o facto de termos apenas uma equipa acima dos 50% de directas, mais precisamente os Cavaleiros (que fizeram aqui grande parte do seu jogo, em termos pontuação), aponta para algum desnível, com as cascatas a serem repartidas maioritariamente entre os favoritos.

Folie à Cinq e Golfinhos passaram quase ao lado deste nível e a Unidade 101 desta vez não conseguiu esticar a sua prestação até à fase final. Na frente, os Ursinho tinham agora a companhia dos Cavaleiros, graças ao nível épico destes últimos, ao passo que os Indomáveis perdiam claramente o fôlego do primeiro nível, mas garantiam ainda a passagem à final. Os Espertalhos, apesar de um início de segundo nível com algum fulgor, limitavam-se a cumprir serviços mínimos e a assegurar lugar na final.

A emoção estava no entanto reservada para o desempate para apurar o último finalista. De um lado os Zbroing, vencedores na última jornada, do outro os Mamedes, que corriam o risco de ficar fora da final dois meses consecutivos. Depois de muitos truques ninja, só no desempate dos desempates a sorte sorriu aos Mamedes, deixando os campeões de Março nas boxes.



Vangelis, dá aí uns acordes pá




Os dados estavam lançados para um terceiro nível que, tal como o Vitoriano tinha prometido, foi difícil, tornando-o num daqueles níveis mais a puxar para o quatro. Tirando para uma equipa. 20 em 36 perguntas deram a volta à sala, três equipas tiveram nenhuma ou uma resposta correcta neste nível e a complexidade de algumas respostas múltiplas desencorajavam até a tentativa de resposta.
Portanto, pouco ou nada mudou na fase final, certo?

Errado. Com 11 pontos no terceiro nível, incluindo 3 directas, os Mamedes foram imparáveis e subiram a pulso do 6º ao 1º lugar, para uma vitória sem contestação. Os Fónix também fizeram um forcing para o segundo lugar, deixando para os Ursinho o lugar final do pódio. Os Cavaleiros, em branco na fase final mantêm a liderança no campeonato, ao passo que os Espertalhos não descolam dos perseguidores, com o seu quinto lugar. Os Indomáveis fecharam os finalistas, com uma prestação que lhes pode dar outro alento para as próximas jornadas.

Ainda a horas respeitáveis para a cascata, o quiz dos BMV c/ Laranja, conduzido tranquilamente pelo Nuno Victoriano, acaba por não ter grandes polémicas, mas também não garante acesso ao Olimpo dos quizzes de cascata. O serão avançou sem problemas e o resultado final não é negativo, mas deixa-nos a pensar se um quiz “global” da equipa não teria um brilho maior, dadas as capacidades e experiência que este colectivo tem. Não sendo possível, fica a versão de autor, as vantagens e desvantagens que por norma se acaba sempre por referir.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Antevisão do Quiz de 6a com Nuno Vitoriano dos BMV c/ Laranja

"Isto é a ditadura instituída, fui eu que fiz o jogo todo"



Homem frontal, já com muitas milhas de quiz acumuladas, Nuno Vitoriano, dos BMV c/ Laranja acedeu gentilmente a trocar algumas palavras com este pasquim, em género de antevisão do quiz que a sua equipa organizará na próxima sexta feira. Percebemos que, traço geral, será um quiz de autor, mas que se espera abrangente dentro das áreas de interesse do mesmo. Eis a entrevista:

- Depois de terem começado com uma final, os BMV c/ laranja não chegaram ao último nível nas duas últimas jornadas. O problema foram os jogos ou a equipa ainda está a aquecer motores? Estão a contar com o sucesso da vossa organização como rampa de lançamento da equipa no resto da época?

Eh pá, o problema foram as 4 directas que deram a volta à sala e o azar "el azar" que nos persegue constantemente. Somos claramente o Martim Moniz do campeonato.

- Sabendo que as organizações se vão dividindo entre a facção BMV e a facção Laranja, sendo esta última a responsável este ano, não os vais deixar sequer fazer umas perguntinhas? O que recomendarias a equipas mais jovens à laia de futurismo em relação ao jogo de sexta?

Népia, isto é a ditadura instituída, fiz o jogo todo. As equipas mais jovens serão mais velhas na edição 20 do campeonato em 2025. Aí já não terei de recomendar nada. No geral reciclem-se como puderem.

- Falam-nos de geografia aos montes, de política em quantidades industriais, de vasculhar ao pormenor os cantinhos da História. Sem estragar o mood, que tipo de surpresas Kinder poderemos encontrar dentro do quiz?

O jogo não tem uma sobrecarga de perguntas desses temas; Desporto, cinema, música e história irão aparecer em quantidades qb.

"Não vou mamar os tradicionais oito ou nove Famous... Mas não levem a mal se o terceiro nível for mesmo difícil"


- Na sequência das organizações que foram acontecendo esta época, o que vai diferenciar o vosso quiz dos demais. Como planeias blindá-lo das polémicas tradicionais?

Há sempre polémicas. Mas como tenho um teste na manhã seguinte este ano não vou mamar os tradicionais 8 ou 9 Famous.

- Finalmente, como é que a vitória de Passos Coelho vai influenciar a feitura do quiz de 6a feira? Poderemos vir a encontrar aventais de plástico de oferta nas mesas?

A única influência do PSD neste jogo é que me tirou algum tempo para fazê-lo com mais calma. Os aventais de plástico já caíram em desuso há algum tempo.

Espero que gostem do jogo e que não levem a mal se o 3º nível for mesmo difícil.



Sabendo-se que a ponta final do quiz será puxada, sabemos também que a evolução há muito que também já chegou aos brindes partidários. Esperemos que sexta feira tudo corra pelo melhor.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pseudo Guia de Bolso de Recomendações para Quiz de cascata

A uma semana da jornada de Abril, na sua contínua luta pouco titânica por um quiz de cascata com futuro, este blog resolveu fazer uma breve introdução ao que podem ser dicas porreiras para a elaboração de um quiz de cascata que não fique a roçar o infame.

Depois das primeiras jornadas deste ano recolhemos mais alguns apontamentos sobre o que pode ser evitado e/ou melhorado mas, como este é um esforço colaborativo, este espaço continuará aberto ao debate na caixa de comentários para ver se, além de piadas de craveira e trocadilhos de encomenda, surgem figuras e anónimos de renome dispostos a dar as suas pérolas de sabedoria.



Comecemos inovadoramente pelo início:

Timing
Um quiz de cascata não é um quiz de bar típico. Não só tem quatro vezes mais perguntas (mais precisamente, para uma cascata de 18 equipas, 204 perguntas divididas por três níveis de dificuldade, mais parte escrita), como tem factores extra a influenciar como apresentação, granel, etc. Preparar a maior parte do mesmo apenas na semana do quiz, até para equipas experientes, pode tirar-lhe qualidade. As metodologias podem variar, mas ir aquecendo motores ao longo do mês a que esse quiz diz respeito é capaz de ser boa ideia, deixando a última semana para afinações e ajustes.

Volume de Perguntas
Epá, são precisas 200 perguntas? Então vou juntar mais de 1200 nos meses que o antecedem e depois escolhemos. Embora este possa ser um factor mais associado a equipas inexperientes, a verdade é que quantidade não é qualidade. Menos perguntas, melhor distribuídas por temas é uma solução mais ajustada. Tal não implica que não se devam ter perguntas a mais (contando substituições e tudo), mas aumenta o filtro de qualidade na apreciação prévia das mesmas.

Formulação das perguntas
A cascata não é um encontro de declamadores, uma convenção de adeptos saudosistas do 1,2,3. São duas horas e tal (com sorte) de perguntas e respostas, barulho e álcool a preços módicos. Como tal, formular a pergunta de uma maneira curta, concisa e que não dê margem a respostas interpretativas ou multiplicidade de respostas válidas muito alargada é uma boa medida e protege o apresentador de potenciais investidores.

Validação das respostas
Aí impera a lei do bom senso. Mesmo tendo a certeza absoluta das respostas, o organizador pode encetar diálogo com uma plateia em protesto. Se o fizer e ceder, a partir daí terá aberto um precedente e será tido quer como um comunicador quer como um frouxo. Se imperar a regra, o que conta é o que está no cartão, será um déspota com pouco sentido de humildade. Se optar pelas duas, não terá amigos em lado nenhum.



Estilo de jogo
Se em relação à parte escrita, é mais ou menos convencionado (mesmo que não praticado) que esta deve ser um aquecimento de 10 perguntas = 1 ponto cada, existem depois duas correntes cascatistas. Uns defendem um nível 1 mais puxado, de modo a começar já a fazer uma selecção e reduzir os perigos da aleatoriedade, outros defendem um nível 1 acessível, com pontuações elevadas e muita imprevisibilidade. Ambos têm a sua validade, mas têm também os seus riscos.
Um nível 1 muito acessível, sem a estruturação adequada da dificuldade e da distribuição de perguntas pode torná-lo um calvário para certas equipas e um paraíso para outras, sem que isso tenha propriamente que ver com o álcool ingerido pelos seus membros. Além disso, para além desse efeito montanha-russa, ao passar para o nível 2 poderá haver uma mudança abrupta de dificuldade, em vez de uma evolução gradual.
Um nível 1 mais selectivo, tendo também em conta a distribuição de dificuldade, terá que ter uma dificuldade ponderada para não criar fossos tão grandes entre equipas que torne o nível 2 um calvário e esteja tudo mais que decidido à entrada do nível 5 (a versão do três em muitos jogos).
A escolha de um estilo de jogo, no meu modesto entender, terá sempre que ver com a diversão que proporciona a organizadores vs equipas concorrentes, pelo que é possível fazer um bom quiz de ambas as formas, desde que sejam tidas em conta as particularidades de cada um.

Nível 3
Um nível 3 não deveria ser um nível em que só uma/duas pessoas saiba a resposta a uma dada pergunta. Confundir dificuldade com inacessibilidade é um mal geral. Por norma, cerca de 50% das perguntas neste nível dão a volta à sala. Sendo esta a fase final, em que a emoção deveria estar ao rubro, muitas vezes fica tudo como já estava no 2º nível, especialmente se houverem lideranças destacadas.
Este deveria ser um nível 2+ e não um nível 5. Embora a dificuldade deva subir a partir do nível anterior, uma boa distribuição temática e a possibilidade da equipa pelo menos poder tentar responder ajudam a torná-lo mais competitivo e agradável.

Estruturação da dificuldade / Distribuição temática
Os Zbroing, equipa sempre avançada em matéria tecnológica, possuem uma matriz que lhes permite tentar distribuir a dificuldade não só entre níveis, como entre equipas. No entanto, mesmo de forma mais artesanal, é possível fazer uma estruturação simpática.
Basta começar por fazer um quadro distribuindo as perguntas por mesas. Se é certo que não sabemos quem se vai sentar onde, sabemos sempre que há x equipas no nível 1, 10 no nível 2 e 6 no nível 3. Tendo isto em conta, é preferível ver logo que seis perguntas, de acordo com a distribuição por ronda (se houver distribuição temática melhor), calharão a cada mesa. Não só se detectam mais facilmente quais as mesas a precisar de alteração/nivelação das perguntas, como também se pode ver que se calhar fazer cinco perguntas com citações a uma mesma equipa (ainda que de temas diferentes) pode não ser positivo.

Ter folhas isoladas com perguntas divididas por temas ou cascatas sem nivelação prévia aumenta o risco de granel, embora cascateiros mais experientes possam minorar esses efeitos.

Perguntas feitas em relação a uma área que dominamos (profissionalmente ou whatever) devem ser sempre revistas por alguém da equipa que seja mais alheio ao tema. A qualidade da mesma não está em causa, mas sim o seu grau de dificuldade. O que para mim é simples, para os outros 4/5 da equipa pode ser de nível épico. Basta às vezes a alteração da formulação ou do nível em que está enquadrada para resolver o assunto.

Em relação à distribuição temática, como é óbvio, cada equipa é livre de abordar os temas que lhe apetecer. Um tipo pode até ser jardineiro e gostar de meter lá uma ou duas perguntas sobre adubos. Mas, vistas as coisas, uma cascata de jardinagem, mais 10 questões sobre flores da Polinésia e outras 10 sobre técnicas para aparar arbustos pode enviesar a coisa.
É possível fazer um óptimo quiz, com um cunho próprio da equipa que o elabora. Mas desde que se equilibre esse gosto pessoal com a forma como a área a que concerne é valorizada pela plateia. Um fã de cinema poderá fazer 20 questões sobre a matéria sem qualquer problema, diversificando-as e mantendo-as interessantes. Um fã de curling terá mais dificuldade em conseguir fazer passar a sua mensagem, sem que isso implique que não possa ter lá alguns apontamentos.



Apresentadores e organização
Nem toda a gente tem o mesmo à vontade. Um quiz de cascata exige o despertar do Júlio Isidro que habita dentro de cada um de nós. Caso ele não acorde, talvez não seja boa ideia forçar. Quando é para distribuir o mal pelas aldeias, tudo bem, já que não é necessário existirem mártires ao microfone. Mas, quando há alguém com mic skills em dada equipa, a sugestão é aproveitá-lo pois tornará o serão mais agradável e o decorrer do jogo mais fluído. Por mic skills não se entende Fernando Rocha.


Estes apontamentos não pretendem ser mais do que isso – apontamentos. Abertos a sugestões, debate e pouco vinculativos do que quer que seja. Também ninguém quer uma porrada de quizzes sem polémica, ordeiros e muito bem feitos o ano inteiro. Senão depois vimos para aqui reclamar do quê?

terça-feira, 23 de março de 2010

Crónica de Março - A indomável incerteza do ser


Com os astros alinhados, dentro e fora da Academia, tudo estava pronto para uma noite de cascata comme il faut. Até a Irmande compareceu (para tristeza do Sasquatch, que pretendia fazer aparição surpresa), tornando os Power2U nos únicos ausentes da ronda. Havia, no entanto, uma certa expectativa referente ào quiz dos Indomáveis, não pela sua reconhecida experiência, mas sim pelos factores que poderiam estar ligados ao seu pedido de adiamento.
Será que o seu quiz iria reflectir isso?

No meu entender, o quiz dos Indomáveis ficou um pouco abaixo daquilo que já nos mostraram serem capazes de fazer. Essencialmente porque pecou em aspectos que costumamos ver associados a equipas mais inexperientes na concepção destes quizzes. A formulação das perguntas deu margem, em alguns casos, para contestação das respostas ou do critério aceite, a distribuição temática aqui e ali não foi muito abrangente (notório no nível três), mas essencialmente foi na distribuição da dificuldade que este quiz falhou.

Se é legítimo fazer um nível 1 bastante acessível, é necessário tentar verificar transversalmente se a dificuldade está bem distribuída pelas equipas. Senão temos “mártires” a quem calha sempre a fava, enquanto outros se deliciam com bolos de directas. É talvez a parte mais complicada ao executar um quiz, porque há temas que nos são mais familiares e outros menos, tornando a estruturação da dificuldade mais complicada. Mas, por exemplo, ter uma equipa no nível 2 que tem quatro perguntas a dar a volta à sala, é demonstrativo do que isto pode causar.
Já se viram quizzes bem piores, também é verdade, mas aos Indomáveis a plateia (sempre exigente, por vezes demais) exigia uma montanha russa de emoções, mas ficou-se mais por uma montanha russa de oscilações.

Vamos por partes.

Ordem na sala, por favor.



Foi uma parte escrita relativamente tranquila, com simplicidade temática suficiente para torná-la exequível no tempo previsto. Não foi muito rica, já que o somatório de perguntas a valerem dois pontos tornou-a mais reduzida, mas manteve-se interessante. Creio que apenas nas três perguntas musicais se poderia ter diversificado mais. Instrumentais, alguns deles covers de outras músicas, em salas com muito granel e dada impossibilidade de os repetir, acabam por não resultar em pleno.
Mas, o que se pretende da parte escrita é um aquecimento equilibrado e foi isso que as classificações ditaram. Os Fónix meteram ordem na sala e depois de trabalho específico para emendar o desaire na escrita em Fevereiro, saíram na frente. Atrás deles um denso pelotão e nem as lanternas vermelhas Cavaleiros (ainda a aquecer ferraduras), Folie e Defenestrados tinham muito atraso para recuperar.

Nível 1 – Perdidos & Achados



Tal como na série “Lost”, onde nem tudo é o que parece, o primeiro nível, que à primeira vista foi acessível, tinha um enredo mais complicado por detrás. A dificuldade oscilava, os temas e as actualidades nem sempre eram coerentes e algumas equipas viam as directas passarem-lhes ao lado. E, quando o primeiro nível tende para o muito acessível, menos de quatro directas acertadas já torna o apuramento complicado. A condução do jogo também foi visada nalguns aspectos, o que levou à pergunta da noite, fora de qualquer cascata “Mas tu vens-me bater?” Não ia, era só um Zbroing com os flaps exaltados.

O facto é que, no meio desta montanha russa, de repente os Fónix viam o seu desempenho na parte escrita ir para as malvas, os Mamedes viam-se longe da fase final pela primeira vez esta época e os Folie à Cinq e os Defenestrados viam que afinal a parte escrita era apenas um prenúncio de uma noite sem grande brilho. Já os Frikadellos, apesar de uma pergunta sobre Lego a apelar ao coração do seu elemento dimarquês também se ficavam por aqui, acompanhados por BMV e NNAPED que, a somar ao desequilíbrio desta fase, ficaram com a amargura de ter faltado apenas um ponto para outros vôos.

Do outro lado do espectro, Zbroing começavam a voar a grande altura, juntando às suas directas uma resma de cascatas. Cavaleiros e Feios, Porcos e Maus seguiam-se na tabela, ao passo que Espertalhos, Valentejanus, Golfinhos e a reaparecida Irmandade (estes dois últimos em estreia) tentavam preparar-se para a segunda fase. A fechar o pelotão, Lais, Unidade 101 e uns Ursinho a tentar trepar na classificação para prevenir males maiores.

Nível 2 – Mais uma volta, mais uma viagem.



No 2º nível, repetiu-se um pouco a história do primeiro. Não houve polémicas de maior, as coisas até pareceram compostas, mas os problemas de desequilíbrio permaneceram. Por exemplo, em onze perguntas que deram a volta à sala, sete dividiram-se por duas equipas (Golfinhos e Irmandade) e tivemos equipas a acertar cinco directas e outras cerca de zero. Como é óbvio, nem tudo isto pode ser assacado à organização, porque há temas que escapam a certas equipas e outras vezes nem tudo corre como queremos. Contudo, essa disparidade parecia minar um pouco o jogo dos Indomáveis, contribuindo para alguma desmotivação.

Pelo caminho, nesta fase, ficavam os Golfinhos, cilindrados maioritariamente pela sua posição na sala, assim como Lais e Ursinhos (a falharem também a primeira final desta época), que não conseguiram recuperar o atraso que traziam do primeiro nível. A fechar o grupo, os Feios, Porcos e Maus, sem uma única directa neste segundo nível a não conseguirem capitalizar a boa prestação da fase anterior.
A par de três equipas que, no meio da noite incerta, conseguiam ir levando água ao seu moinho e chegar à fase final, os Zbroing continuavam em velocidade de cruzeiro, levando já cinco pontos de avanço sobre os Cavaleiros e dez sobre os Espertalhos, que fechavam o pódio nesta altura.

Nível 3 – Keep Walking



Chegados a esta fase, perto das duas da manhã, pode dizer-se que se assistiu a um típico nível três a puxar para o cinco. Das 36 questões colocadas, vinte (!!) deram a volta à sala, ou seja, mais de 50%. Só por aí se pode ver que é difícil manter qualquer tipo de competitividade ou ver emoção a rodos, caso a diferença pontual entre equipas seja superior a três pontos. É certo que ainda assim existiram algumas perguntas interessante, mas não faltaram também diversas perguntas sobre whisky, citações genéricas e geografia, que não cativaram o público. Valentejanus e Irmandade, apesar do seu bom percurso, foram quase só espectadores nesta fase e só houve alguma emoção quando a Unidade 101 efectuou uma recuperação que os colocou taco a taco com Espertalhos, acabando estes por ter uma ponta final consistente para fechar o pódio. Os Cavaleiros mantiveram um bom ritmo neste início de época, com um segundo lugar que lhes permite uma liderança destacada.

No entanto, a noite era de uma equipa que se revelou apta para altos vôos, até em perguntas sobre a arte dos cuidados capilares faciais. Parabéns aos Zbroing, que regressaram às vitórias após longo jejum. Foram vencedores incontestáveis, num quiz que podia (devia?) ter tido outro brilho, para fazer jus aos pergaminhos dos Indomáveis.