segunda-feira, 26 de abril de 2010

Crónica do Jogo de Abril - Organização BMV c/ Laranja




Já se sabia de antemão, iria ser um quiz de autor. E, numa sexta-feira cascateira onde não faltaram sequer os tradicionais momentos de chuva, voltaram a comprovar-se as venturas e desventuras deste tipo de quiz. Provou-se também que os vulcões islandeses não facilitam as ligações aéreas para os praticantes internacionais de quiz de cascata.
Traço geral, salvo breves momentos, o quiz dos BMV c/ Laranja e, mais propriamente, do Nuno Vitoriano, foi calmo, com uma condução atempada e sem grande granel. Teve emoção até ao fim, com uma recuperação épica a cargo dos Mamedes, que fizeram do 3º nível uma rampa de lançamento para uma vitória que poucos poderiam prever no final do 2º nível. No entanto, pecou nalguns aspectos por ser aquilo que disse no início – um quiz de autor. E, quando assim é, há um grau de dificuldade bem maior ao estruturá-lo.

Como de costume, vamos por partes.


Il y a du bon pain, de la viande et d’une part écrit



Com duas equipas ausentes, Irmandade e Power2U, a parte escrita não levantou grande celeuma, apesar de divergir do formato mais básico 10 perguntas = 1 ponto cada resposta certa, sem acertos. Embora apenas alguns pelintras menos patriotas possam ter tido dificuldades em distinguir insígnias militares, malvadez só mesmo pedir os nomes em francês dos personagens do “Era uma vez o Homem”.
Os Lais da Carangueija saíram na frente, com uns promissores 8 pontos. No pelotão o equilíbrio era a nota dominante, com as pontuações a oscilarem entre os 3 e os seis pontos.


Os perigos do equilíbrio




Às 23.30 começava o nível um, com os principais favoritos a tentarem garantir um bom arranque e outras equipas a tentar dar novo alento à sua época. As primeiras perguntas mostraram que este iria ser um primeiro nível acessível, mas a distribuição da dificuldade pelos temas que foram saindo tornou a coisa menos uniforme. E, quando um nível é desenhado para ser acessível, quem não acerta quatro directas tem a vida muito dificultada para passar de nível, sendo os Golfinhos os únicos a passar com apenas três directas. Enquanto algumas equipas se banqueteavam com cascatas, beneficiando do seu à vontade nalguns temas e posicionamento geo estratégico, noutros casos a sobrevivência era difícil.
Na frente, os Ursinho levavam a dianteira, seguidos por uns Indomáveis a um nível ainda não visto esta época e por uns Fónix a precisar de acelerar o ritmo para manterem o seu estatuto de campeões. Do lado oposto, NNAPED, Feios Porcos e Maus e Freakadellos eram vítimas iniciais, assim como os Valentejanus, que não deram seguimento à final do mês passado, os Defenestrados e os Lais, que podem ter contribuído para alimentar o mito de que a equipa que melhor se safa na parte escrita é uma séria candidata à eliminação no primeiro nível.




Os mistérios de Sean Connery




Embora o primeiro nome de Sean Connery permaneça ainda um mistério para muitos, o segundo nível do jogo dos BMV c/ Laranja não constituiu propriamente uma surpresa. Em termos de temas, a matriz do Nuno revelou algum foco específico em determinadas áreas, sendo o problema a apontar aquele que já foi definido – o isolamento que define um quiz de autor. A amplitude temática não só, por norma, é mais reduzida, como a capacidade de nivelar a dificuldade aumenta exponencialmente. E se, traço geral, o segundo nível não foi dos mais exigentes que já assistimos esta época, com apenas sete perguntas a darem a volta à sala, o facto de termos apenas uma equipa acima dos 50% de directas, mais precisamente os Cavaleiros (que fizeram aqui grande parte do seu jogo, em termos pontuação), aponta para algum desnível, com as cascatas a serem repartidas maioritariamente entre os favoritos.

Folie à Cinq e Golfinhos passaram quase ao lado deste nível e a Unidade 101 desta vez não conseguiu esticar a sua prestação até à fase final. Na frente, os Ursinho tinham agora a companhia dos Cavaleiros, graças ao nível épico destes últimos, ao passo que os Indomáveis perdiam claramente o fôlego do primeiro nível, mas garantiam ainda a passagem à final. Os Espertalhos, apesar de um início de segundo nível com algum fulgor, limitavam-se a cumprir serviços mínimos e a assegurar lugar na final.

A emoção estava no entanto reservada para o desempate para apurar o último finalista. De um lado os Zbroing, vencedores na última jornada, do outro os Mamedes, que corriam o risco de ficar fora da final dois meses consecutivos. Depois de muitos truques ninja, só no desempate dos desempates a sorte sorriu aos Mamedes, deixando os campeões de Março nas boxes.



Vangelis, dá aí uns acordes pá




Os dados estavam lançados para um terceiro nível que, tal como o Vitoriano tinha prometido, foi difícil, tornando-o num daqueles níveis mais a puxar para o quatro. Tirando para uma equipa. 20 em 36 perguntas deram a volta à sala, três equipas tiveram nenhuma ou uma resposta correcta neste nível e a complexidade de algumas respostas múltiplas desencorajavam até a tentativa de resposta.
Portanto, pouco ou nada mudou na fase final, certo?

Errado. Com 11 pontos no terceiro nível, incluindo 3 directas, os Mamedes foram imparáveis e subiram a pulso do 6º ao 1º lugar, para uma vitória sem contestação. Os Fónix também fizeram um forcing para o segundo lugar, deixando para os Ursinho o lugar final do pódio. Os Cavaleiros, em branco na fase final mantêm a liderança no campeonato, ao passo que os Espertalhos não descolam dos perseguidores, com o seu quinto lugar. Os Indomáveis fecharam os finalistas, com uma prestação que lhes pode dar outro alento para as próximas jornadas.

Ainda a horas respeitáveis para a cascata, o quiz dos BMV c/ Laranja, conduzido tranquilamente pelo Nuno Victoriano, acaba por não ter grandes polémicas, mas também não garante acesso ao Olimpo dos quizzes de cascata. O serão avançou sem problemas e o resultado final não é negativo, mas deixa-nos a pensar se um quiz “global” da equipa não teria um brilho maior, dadas as capacidades e experiência que este colectivo tem. Não sendo possível, fica a versão de autor, as vantagens e desvantagens que por norma se acaba sempre por referir.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Antevisão do Quiz de 6a com Nuno Vitoriano dos BMV c/ Laranja

"Isto é a ditadura instituída, fui eu que fiz o jogo todo"



Homem frontal, já com muitas milhas de quiz acumuladas, Nuno Vitoriano, dos BMV c/ Laranja acedeu gentilmente a trocar algumas palavras com este pasquim, em género de antevisão do quiz que a sua equipa organizará na próxima sexta feira. Percebemos que, traço geral, será um quiz de autor, mas que se espera abrangente dentro das áreas de interesse do mesmo. Eis a entrevista:

- Depois de terem começado com uma final, os BMV c/ laranja não chegaram ao último nível nas duas últimas jornadas. O problema foram os jogos ou a equipa ainda está a aquecer motores? Estão a contar com o sucesso da vossa organização como rampa de lançamento da equipa no resto da época?

Eh pá, o problema foram as 4 directas que deram a volta à sala e o azar "el azar" que nos persegue constantemente. Somos claramente o Martim Moniz do campeonato.

- Sabendo que as organizações se vão dividindo entre a facção BMV e a facção Laranja, sendo esta última a responsável este ano, não os vais deixar sequer fazer umas perguntinhas? O que recomendarias a equipas mais jovens à laia de futurismo em relação ao jogo de sexta?

Népia, isto é a ditadura instituída, fiz o jogo todo. As equipas mais jovens serão mais velhas na edição 20 do campeonato em 2025. Aí já não terei de recomendar nada. No geral reciclem-se como puderem.

- Falam-nos de geografia aos montes, de política em quantidades industriais, de vasculhar ao pormenor os cantinhos da História. Sem estragar o mood, que tipo de surpresas Kinder poderemos encontrar dentro do quiz?

O jogo não tem uma sobrecarga de perguntas desses temas; Desporto, cinema, música e história irão aparecer em quantidades qb.

"Não vou mamar os tradicionais oito ou nove Famous... Mas não levem a mal se o terceiro nível for mesmo difícil"


- Na sequência das organizações que foram acontecendo esta época, o que vai diferenciar o vosso quiz dos demais. Como planeias blindá-lo das polémicas tradicionais?

Há sempre polémicas. Mas como tenho um teste na manhã seguinte este ano não vou mamar os tradicionais 8 ou 9 Famous.

- Finalmente, como é que a vitória de Passos Coelho vai influenciar a feitura do quiz de 6a feira? Poderemos vir a encontrar aventais de plástico de oferta nas mesas?

A única influência do PSD neste jogo é que me tirou algum tempo para fazê-lo com mais calma. Os aventais de plástico já caíram em desuso há algum tempo.

Espero que gostem do jogo e que não levem a mal se o 3º nível for mesmo difícil.



Sabendo-se que a ponta final do quiz será puxada, sabemos também que a evolução há muito que também já chegou aos brindes partidários. Esperemos que sexta feira tudo corra pelo melhor.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pseudo Guia de Bolso de Recomendações para Quiz de cascata

A uma semana da jornada de Abril, na sua contínua luta pouco titânica por um quiz de cascata com futuro, este blog resolveu fazer uma breve introdução ao que podem ser dicas porreiras para a elaboração de um quiz de cascata que não fique a roçar o infame.

Depois das primeiras jornadas deste ano recolhemos mais alguns apontamentos sobre o que pode ser evitado e/ou melhorado mas, como este é um esforço colaborativo, este espaço continuará aberto ao debate na caixa de comentários para ver se, além de piadas de craveira e trocadilhos de encomenda, surgem figuras e anónimos de renome dispostos a dar as suas pérolas de sabedoria.



Comecemos inovadoramente pelo início:

Timing
Um quiz de cascata não é um quiz de bar típico. Não só tem quatro vezes mais perguntas (mais precisamente, para uma cascata de 18 equipas, 204 perguntas divididas por três níveis de dificuldade, mais parte escrita), como tem factores extra a influenciar como apresentação, granel, etc. Preparar a maior parte do mesmo apenas na semana do quiz, até para equipas experientes, pode tirar-lhe qualidade. As metodologias podem variar, mas ir aquecendo motores ao longo do mês a que esse quiz diz respeito é capaz de ser boa ideia, deixando a última semana para afinações e ajustes.

Volume de Perguntas
Epá, são precisas 200 perguntas? Então vou juntar mais de 1200 nos meses que o antecedem e depois escolhemos. Embora este possa ser um factor mais associado a equipas inexperientes, a verdade é que quantidade não é qualidade. Menos perguntas, melhor distribuídas por temas é uma solução mais ajustada. Tal não implica que não se devam ter perguntas a mais (contando substituições e tudo), mas aumenta o filtro de qualidade na apreciação prévia das mesmas.

Formulação das perguntas
A cascata não é um encontro de declamadores, uma convenção de adeptos saudosistas do 1,2,3. São duas horas e tal (com sorte) de perguntas e respostas, barulho e álcool a preços módicos. Como tal, formular a pergunta de uma maneira curta, concisa e que não dê margem a respostas interpretativas ou multiplicidade de respostas válidas muito alargada é uma boa medida e protege o apresentador de potenciais investidores.

Validação das respostas
Aí impera a lei do bom senso. Mesmo tendo a certeza absoluta das respostas, o organizador pode encetar diálogo com uma plateia em protesto. Se o fizer e ceder, a partir daí terá aberto um precedente e será tido quer como um comunicador quer como um frouxo. Se imperar a regra, o que conta é o que está no cartão, será um déspota com pouco sentido de humildade. Se optar pelas duas, não terá amigos em lado nenhum.



Estilo de jogo
Se em relação à parte escrita, é mais ou menos convencionado (mesmo que não praticado) que esta deve ser um aquecimento de 10 perguntas = 1 ponto cada, existem depois duas correntes cascatistas. Uns defendem um nível 1 mais puxado, de modo a começar já a fazer uma selecção e reduzir os perigos da aleatoriedade, outros defendem um nível 1 acessível, com pontuações elevadas e muita imprevisibilidade. Ambos têm a sua validade, mas têm também os seus riscos.
Um nível 1 muito acessível, sem a estruturação adequada da dificuldade e da distribuição de perguntas pode torná-lo um calvário para certas equipas e um paraíso para outras, sem que isso tenha propriamente que ver com o álcool ingerido pelos seus membros. Além disso, para além desse efeito montanha-russa, ao passar para o nível 2 poderá haver uma mudança abrupta de dificuldade, em vez de uma evolução gradual.
Um nível 1 mais selectivo, tendo também em conta a distribuição de dificuldade, terá que ter uma dificuldade ponderada para não criar fossos tão grandes entre equipas que torne o nível 2 um calvário e esteja tudo mais que decidido à entrada do nível 5 (a versão do três em muitos jogos).
A escolha de um estilo de jogo, no meu modesto entender, terá sempre que ver com a diversão que proporciona a organizadores vs equipas concorrentes, pelo que é possível fazer um bom quiz de ambas as formas, desde que sejam tidas em conta as particularidades de cada um.

Nível 3
Um nível 3 não deveria ser um nível em que só uma/duas pessoas saiba a resposta a uma dada pergunta. Confundir dificuldade com inacessibilidade é um mal geral. Por norma, cerca de 50% das perguntas neste nível dão a volta à sala. Sendo esta a fase final, em que a emoção deveria estar ao rubro, muitas vezes fica tudo como já estava no 2º nível, especialmente se houverem lideranças destacadas.
Este deveria ser um nível 2+ e não um nível 5. Embora a dificuldade deva subir a partir do nível anterior, uma boa distribuição temática e a possibilidade da equipa pelo menos poder tentar responder ajudam a torná-lo mais competitivo e agradável.

Estruturação da dificuldade / Distribuição temática
Os Zbroing, equipa sempre avançada em matéria tecnológica, possuem uma matriz que lhes permite tentar distribuir a dificuldade não só entre níveis, como entre equipas. No entanto, mesmo de forma mais artesanal, é possível fazer uma estruturação simpática.
Basta começar por fazer um quadro distribuindo as perguntas por mesas. Se é certo que não sabemos quem se vai sentar onde, sabemos sempre que há x equipas no nível 1, 10 no nível 2 e 6 no nível 3. Tendo isto em conta, é preferível ver logo que seis perguntas, de acordo com a distribuição por ronda (se houver distribuição temática melhor), calharão a cada mesa. Não só se detectam mais facilmente quais as mesas a precisar de alteração/nivelação das perguntas, como também se pode ver que se calhar fazer cinco perguntas com citações a uma mesma equipa (ainda que de temas diferentes) pode não ser positivo.

Ter folhas isoladas com perguntas divididas por temas ou cascatas sem nivelação prévia aumenta o risco de granel, embora cascateiros mais experientes possam minorar esses efeitos.

Perguntas feitas em relação a uma área que dominamos (profissionalmente ou whatever) devem ser sempre revistas por alguém da equipa que seja mais alheio ao tema. A qualidade da mesma não está em causa, mas sim o seu grau de dificuldade. O que para mim é simples, para os outros 4/5 da equipa pode ser de nível épico. Basta às vezes a alteração da formulação ou do nível em que está enquadrada para resolver o assunto.

Em relação à distribuição temática, como é óbvio, cada equipa é livre de abordar os temas que lhe apetecer. Um tipo pode até ser jardineiro e gostar de meter lá uma ou duas perguntas sobre adubos. Mas, vistas as coisas, uma cascata de jardinagem, mais 10 questões sobre flores da Polinésia e outras 10 sobre técnicas para aparar arbustos pode enviesar a coisa.
É possível fazer um óptimo quiz, com um cunho próprio da equipa que o elabora. Mas desde que se equilibre esse gosto pessoal com a forma como a área a que concerne é valorizada pela plateia. Um fã de cinema poderá fazer 20 questões sobre a matéria sem qualquer problema, diversificando-as e mantendo-as interessantes. Um fã de curling terá mais dificuldade em conseguir fazer passar a sua mensagem, sem que isso implique que não possa ter lá alguns apontamentos.



Apresentadores e organização
Nem toda a gente tem o mesmo à vontade. Um quiz de cascata exige o despertar do Júlio Isidro que habita dentro de cada um de nós. Caso ele não acorde, talvez não seja boa ideia forçar. Quando é para distribuir o mal pelas aldeias, tudo bem, já que não é necessário existirem mártires ao microfone. Mas, quando há alguém com mic skills em dada equipa, a sugestão é aproveitá-lo pois tornará o serão mais agradável e o decorrer do jogo mais fluído. Por mic skills não se entende Fernando Rocha.


Estes apontamentos não pretendem ser mais do que isso – apontamentos. Abertos a sugestões, debate e pouco vinculativos do que quer que seja. Também ninguém quer uma porrada de quizzes sem polémica, ordeiros e muito bem feitos o ano inteiro. Senão depois vimos para aqui reclamar do quê?

terça-feira, 23 de março de 2010

Crónica de Março - A indomável incerteza do ser


Com os astros alinhados, dentro e fora da Academia, tudo estava pronto para uma noite de cascata comme il faut. Até a Irmande compareceu (para tristeza do Sasquatch, que pretendia fazer aparição surpresa), tornando os Power2U nos únicos ausentes da ronda. Havia, no entanto, uma certa expectativa referente ào quiz dos Indomáveis, não pela sua reconhecida experiência, mas sim pelos factores que poderiam estar ligados ao seu pedido de adiamento.
Será que o seu quiz iria reflectir isso?

No meu entender, o quiz dos Indomáveis ficou um pouco abaixo daquilo que já nos mostraram serem capazes de fazer. Essencialmente porque pecou em aspectos que costumamos ver associados a equipas mais inexperientes na concepção destes quizzes. A formulação das perguntas deu margem, em alguns casos, para contestação das respostas ou do critério aceite, a distribuição temática aqui e ali não foi muito abrangente (notório no nível três), mas essencialmente foi na distribuição da dificuldade que este quiz falhou.

Se é legítimo fazer um nível 1 bastante acessível, é necessário tentar verificar transversalmente se a dificuldade está bem distribuída pelas equipas. Senão temos “mártires” a quem calha sempre a fava, enquanto outros se deliciam com bolos de directas. É talvez a parte mais complicada ao executar um quiz, porque há temas que nos são mais familiares e outros menos, tornando a estruturação da dificuldade mais complicada. Mas, por exemplo, ter uma equipa no nível 2 que tem quatro perguntas a dar a volta à sala, é demonstrativo do que isto pode causar.
Já se viram quizzes bem piores, também é verdade, mas aos Indomáveis a plateia (sempre exigente, por vezes demais) exigia uma montanha russa de emoções, mas ficou-se mais por uma montanha russa de oscilações.

Vamos por partes.

Ordem na sala, por favor.



Foi uma parte escrita relativamente tranquila, com simplicidade temática suficiente para torná-la exequível no tempo previsto. Não foi muito rica, já que o somatório de perguntas a valerem dois pontos tornou-a mais reduzida, mas manteve-se interessante. Creio que apenas nas três perguntas musicais se poderia ter diversificado mais. Instrumentais, alguns deles covers de outras músicas, em salas com muito granel e dada impossibilidade de os repetir, acabam por não resultar em pleno.
Mas, o que se pretende da parte escrita é um aquecimento equilibrado e foi isso que as classificações ditaram. Os Fónix meteram ordem na sala e depois de trabalho específico para emendar o desaire na escrita em Fevereiro, saíram na frente. Atrás deles um denso pelotão e nem as lanternas vermelhas Cavaleiros (ainda a aquecer ferraduras), Folie e Defenestrados tinham muito atraso para recuperar.

Nível 1 – Perdidos & Achados



Tal como na série “Lost”, onde nem tudo é o que parece, o primeiro nível, que à primeira vista foi acessível, tinha um enredo mais complicado por detrás. A dificuldade oscilava, os temas e as actualidades nem sempre eram coerentes e algumas equipas viam as directas passarem-lhes ao lado. E, quando o primeiro nível tende para o muito acessível, menos de quatro directas acertadas já torna o apuramento complicado. A condução do jogo também foi visada nalguns aspectos, o que levou à pergunta da noite, fora de qualquer cascata “Mas tu vens-me bater?” Não ia, era só um Zbroing com os flaps exaltados.

O facto é que, no meio desta montanha russa, de repente os Fónix viam o seu desempenho na parte escrita ir para as malvas, os Mamedes viam-se longe da fase final pela primeira vez esta época e os Folie à Cinq e os Defenestrados viam que afinal a parte escrita era apenas um prenúncio de uma noite sem grande brilho. Já os Frikadellos, apesar de uma pergunta sobre Lego a apelar ao coração do seu elemento dimarquês também se ficavam por aqui, acompanhados por BMV e NNAPED que, a somar ao desequilíbrio desta fase, ficaram com a amargura de ter faltado apenas um ponto para outros vôos.

Do outro lado do espectro, Zbroing começavam a voar a grande altura, juntando às suas directas uma resma de cascatas. Cavaleiros e Feios, Porcos e Maus seguiam-se na tabela, ao passo que Espertalhos, Valentejanus, Golfinhos e a reaparecida Irmandade (estes dois últimos em estreia) tentavam preparar-se para a segunda fase. A fechar o pelotão, Lais, Unidade 101 e uns Ursinho a tentar trepar na classificação para prevenir males maiores.

Nível 2 – Mais uma volta, mais uma viagem.



No 2º nível, repetiu-se um pouco a história do primeiro. Não houve polémicas de maior, as coisas até pareceram compostas, mas os problemas de desequilíbrio permaneceram. Por exemplo, em onze perguntas que deram a volta à sala, sete dividiram-se por duas equipas (Golfinhos e Irmandade) e tivemos equipas a acertar cinco directas e outras cerca de zero. Como é óbvio, nem tudo isto pode ser assacado à organização, porque há temas que escapam a certas equipas e outras vezes nem tudo corre como queremos. Contudo, essa disparidade parecia minar um pouco o jogo dos Indomáveis, contribuindo para alguma desmotivação.

Pelo caminho, nesta fase, ficavam os Golfinhos, cilindrados maioritariamente pela sua posição na sala, assim como Lais e Ursinhos (a falharem também a primeira final desta época), que não conseguiram recuperar o atraso que traziam do primeiro nível. A fechar o grupo, os Feios, Porcos e Maus, sem uma única directa neste segundo nível a não conseguirem capitalizar a boa prestação da fase anterior.
A par de três equipas que, no meio da noite incerta, conseguiam ir levando água ao seu moinho e chegar à fase final, os Zbroing continuavam em velocidade de cruzeiro, levando já cinco pontos de avanço sobre os Cavaleiros e dez sobre os Espertalhos, que fechavam o pódio nesta altura.

Nível 3 – Keep Walking



Chegados a esta fase, perto das duas da manhã, pode dizer-se que se assistiu a um típico nível três a puxar para o cinco. Das 36 questões colocadas, vinte (!!) deram a volta à sala, ou seja, mais de 50%. Só por aí se pode ver que é difícil manter qualquer tipo de competitividade ou ver emoção a rodos, caso a diferença pontual entre equipas seja superior a três pontos. É certo que ainda assim existiram algumas perguntas interessante, mas não faltaram também diversas perguntas sobre whisky, citações genéricas e geografia, que não cativaram o público. Valentejanus e Irmandade, apesar do seu bom percurso, foram quase só espectadores nesta fase e só houve alguma emoção quando a Unidade 101 efectuou uma recuperação que os colocou taco a taco com Espertalhos, acabando estes por ter uma ponta final consistente para fechar o pódio. Os Cavaleiros mantiveram um bom ritmo neste início de época, com um segundo lugar que lhes permite uma liderança destacada.

No entanto, a noite era de uma equipa que se revelou apta para altos vôos, até em perguntas sobre a arte dos cuidados capilares faciais. Parabéns aos Zbroing, que regressaram às vitórias após longo jejum. Foram vencedores incontestáveis, num quiz que podia (devia?) ter tido outro brilho, para fazer jus aos pergaminhos dos Indomáveis.

segunda-feira, 22 de março de 2010

CLASSIFICAÇÃO DE MARÇO


3ª vitória dos Zbroing 747! que já não conheciam esse gosto desde Dezembro de 2008.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Há pai para esta jornada?



Esgotando no título todo um lote de piadas sobre o Dia do Pai e a jornada de hoje, sobram no entanto algumas questões. Se do ponto de vista climatérico já conseguimos assegurar uma tradicional chuvinha em dia de cascata, resta saber como vão contornar os Indomáveis a ausência do seu líder Marco Vaza, algo que motivou inclusive um pedido de adiamento, que a maioria das equipas terá rejeitado.

Carisma à parte, creio até que já há duas épocas os Indomáveis conduziram uma jornada nesses mesmos moldes, que salvo erro teve lugar no Magic Pool Bar, com bastante calor à mistura. No entanto, do ponto de vista do quiz a coisa correu pacificamente e não há memória de confrontos ao estilo dos de Alvalade ontem. Os Indomáveis são uma equipa experiente e, esperamos nós, terão planeado este quiz com alguma antecipação, o que evitará guerra nas trincheiras e o epíteto de patifes para os organizadores.

Do ponto de vista da competição, continua a haver muita coisa em jogo. Continuarão os Cavaleiros a manter uma prestação regular de alto nível ou há quebras no horizonte? Mamedes, Ursinhos e Espertalhos irão encurtar distâncias ou sofrerão de alergias da Primavera? Chegará Zé Pedro a tempo ao aeroporto da Portela ou os Fonix poderão entrar em parafuso horário? As equipas que já têm uma final no bucho repetirão a dose ou existirão estreantes esta época? Quem será a primeira equipa rookie a destacar-se? Será mais fácil avistar a Irmandade do Bordel ou o Sasquatch esta sexta-feira? Algum dos Defenestrados irá ser apanhado a consumir bebidas alcoólicas com palhinha? Quantas questões será possível fazer nestes moldes antes de ser demasiado chato?


Fora isto, se algum dos Indomáveis ler estas linhas e tiver disponibilidade mental, que mande um mail aqui para o estaminé quizadas@gmail.com e poderemos ter um pequeno apontamento de reportagem. Caso contrário, lá nos veremos mais logo.

domingo, 7 de março de 2010

Adiamento adiado


Ao que foi permitido apurar, incluindo pelo comentário do Johnny Bigodes no post anterior, o pedido de adiamento dos Indomáveis, que pretendiam passar a jornada de dia 19 para dia 26, não foi atendido.

A maioria das equipas não se compadeceu da ausência do líder Indomável, Marco Vaza e, sendo assim, o pai de todos os quizzes terá lugar...no Dia do Pai, como previsto.

O júri decidiu, está decidido.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

2ª Jornada - Crónica de Fevereiro

Como eles próprios já tinham dito, as expectativas não eram difíceis de superar, face ao ano anterior. Pode dizer-se que os Feios, Porcos e Maus tinham razão. Apesar de não ter sido um quiz fora de série, foi uma clara evolução, isento de polémicas na sua maior parte e bem conduzido, o que levou a que o serão (em que a tradicional chuvada não deixou de marcar presença) tenha passado a bom ritmo e ninguém tenha saído da academia já em horário escolar.

Quanto ao jogo em si, falaremos adiante, mas em termos de vencedor, pode dizer-se que a cavalgada de 2º nível dos Cavaleiros arrumou a questão e depois o entretenimento final foi a luta pelo segundo lugar. A surpresa da jornada terá sido a eliminação da Ordem do Fónix num precoce 1º nível.


Uma colorida parte escrita




Entre lápis de cor e guitarradas, a parte escrita dos Feios, Porcos e Maus teve a clara vantagem de ser um aquecimento ligeiro, como se pretende, embora o vocalista de serviço tivesse um timbre que não favorecia a cristaleira da Academia.
Um pormenor que o Johnny Moustache não se cansa de referir com alguma razão – A razão da simplificação de 10 perguntas = 1 ponto cada resposta certa podia ter dado ainda mais colorido a esta prova, pois o sistema de pontuação levou a que a correcção ainda levasse perto de meia hora.
Valentejanus e Zbroing levavam aí a dianteira, a Ordem do Fónix, com apenas dois pontos já previa um primeiro nível a suar para recuperar a diferença.


Um nível pornograficamente acessível




A organização disse à partida “Este ano quisemos fazer um primeiro nível fácil”. A audiência, habituada a promessas, reagiu com indiferença. A organização acrescentou “Um dos temas das cascata é Porno”. A audiência rejubilou, com palmas, gritos de incentivo e, aqui e ali, lágrimas de emoção.
Com o Élcio ao comando a dar-lhe no Teleponto, um primeiro nível acessível tornou-se aquilo que costuma ser. Penalizador para equipas que tiveram uma parte escrita uns furos abaixo e para aqueles que falham as directas. Os temas foram passando até à última categoria, o esperado Porno, em que verdadeiros especialistas encapotados não deram margem a muitas cascatas, nem que obviamente alguma pergunta desse a volta à sala.

Tendo faltado os NNAPED e a sempre imprevisível Irmandade, as seis equipas eliminadas na 1ª fase foram aquelas que tinham tido menos pontos na parte escrita, de nada valendo as boas recuperações dos Indomáveis e dos Fonix, que ficaram por aqui, tal como uns Power2U ainda a aquecer motores, uns Defenestrados em estreia esta época e Folie a Cinq e Golfinhos a fechar o pelotão.

Neste nível, algo que se viria a comprovar nos seguintes, já foi possível detectar aquela que foi possivelmente a falha maior desta organização. O escalonamento da dificuldade dentro do próprio nível e na distribuição disso mesmo pelas equipas. Se em certos temas se verificava que as perguntas era mais puxadas para as equipas que fechavam a ronda, noutros era a dificuldade mesmo que era por vezes diferenciada.
Mas esta, a par da escolha temática, é sempre a dificuldade maior na elaboração de um quiz de cascata e tal não torna que o resultado final tenha sido claramente satisfatório.

Cavaleiros de segundo nível




Mais do que uma provocação barata aos membros da Cavalaria Cascatiana (seria um desperdício investir numa de maior valor), o segundo nível pertenceu-lhes. Beneficiando de algum desacerto nas mesas que os rodeavam, mais uma pontaria afinada, somaram 16 pontos e de um fosso de quase 10 no final do nível, que resolveram praticamente as coisas.
Quanto ao nível 2, a apresentação continuou a bom nível, tal como a generalidade dos temas abordados, mas foi também mais notório que a distribuição da dificuldade ia tendo algum peso, com equipas como os BMV a terem alguma razão de queixa (50% das suas directas deram a volta à sala neste nível) e também os Freakadellos (com 2 a dar a volta). Estas equipas acabariam por ficar por este nível, assim como a Unidade 101, ex- Liga dos Últimos, que começa assim a deixar para trás a jornada de Janeiro e os Valentejanus, que apesar de terem perdido gradualmente o gás nesta jornada, parecem estar mais coesos do que na época passada.

Entre finalistas, tirando na liderança, muita coisa estava ainda em aberto.

Cinco contra um para fechar a bom ritmo




Com os Cavaleiro em gestão de vantagem e as equipas ainda despertas por serem apenas duas da manhã, a luta pelo pódio avizinhava-se interessante. Só os Lais, que fizeram uma bela prova até ao nível final, tinham algum atraso.
Os Espertalhos do Carinho posicionaram-se inicialmente como candidatos ao segundo lugar, seguidos por Ursinhos e Zbroing. Os Mamedes, algo desfalcados, fizeram jus ao nome do seu ídolo e perderam também alguma força na volta final. O nível três não foi completamente impossível, mas incluiu uma pergunta de bónus sobre os Pearl Jam que acabou por dar alento aos Ursinho, que numa ponta final ao sprint (10 pontos num 3º nível é sempre um feito) ficaram com o segundo lugar, deixando Espertalhos em tercerio e Zbroing em quarto lugar, mas com estas duas equipas a recuperarem de uma primeira jornada menos vistosa.

Em conclusão uma jornada interessante, longe da polémica da anterior e com a vantagem de ter constituído um serão de entretenimento em quiz e não uma odisseia de martírio. Nota positiva para os Feios, Porcos e Maus, que embora tenham ainda boa margem para melhorar, mostraram estar no bom caminho. Parabéns portanto a vencedores e organizadores.

sábado, 20 de fevereiro de 2010