
Se considerarmos a Ordem do Fónix como herdeira dos Fósseis, era preciso recuar até Outubro de 2007 para uma estreia em vitórias, na altura os Zbroing.
Após 6 idas ao podium, à 7ª foi de vez que a 7ª equipa do ano passado fosse a 7ª da história a ganhar um "grande prémio". E de que forma! Quase nunca se dá por eles, muito low profile, em pezinhos de lã treparam posições até chegar à penúltima questão do jogo e arrumarem de vez com a jornada. Já nem o pontozinho dos Cavaleiros na questão final chegou para retirar a glória aos Indomáveis, SAD que pelo menos por um mês, bem justificam o trocadilho do título.
Senão vejamos. Após liderarem na parte escrita, nada de mais lógico nos últimos tempos, tremeram no nível 1 com quatro directas e 0 cascatas e caem para o 7º lugar. Mas a meio do 2º nível seguiam segundo e terminam-na em terceiro, a três pontos dos dois líderes. Agarram a liderança a meio do 3º nível e por muito que os Cavaleiros esticassem o pescoço, seguraram bem a vantagem ínfima. A glória tantas vezes adiada chegou. PARABÉNS!
PYGMALEÃO
Não foi uma organização consensual. Como em todas as jornadas, quem se fica pelos primeiros níveis não gosta, quem vai mais além do esperado gosta muito. Estou nos que ficaram na primeira situação. Por muito imparcial que deva ser (nem sempre como devia, admito), tenho de frisar que, mais do que em qualquer crónica escrevinhada por mim, esta é uma opinião pessoal.De um modo geral, as equipas tendem a ir buscar temas que lhes são caros. Perfeitamente compreensível. Tem sido aliás uma regra e muito poucas foram abrangentes e equilibradas no que ao tratamento dos temas diz respeito. No fundo, o dever de cada equipa enquanto participante, é equilibrá-la com elementos necessários, de molde a cobrir uma gama variada de temas. Embora como é óbvio que, não sendo isto uma federação, o nosso âmbito de recrutamento torna-se reduzido porque depende das nossas vidas pessoais.
Antes de prosseguir, peguemos num aspecto que me chamou a atenção na entrevista dos BMV c/ Laranja:
"- (...)enquanto que na cascata muitas equipas optam por temas mais modernos nas primeiras fases e encaram o último nível com temas diferentes. Se houvesse equipas que no terceiro nível optassem por dificultar os mesmos temas em vez de se voltarem para temas que consideram mais dificeis, (...) uma ou duas equipas que por serem adversas a determinados temas, acharem que não são intelectuais o suficiente, ou talvez por não os dominarem, restringem-se aos temas que conhecem, e é aí que surgem os quizes mais repetitivos com demasiadas perguntas muito restritivas."
Este parágrafo dos dois BMV toca numa ferida complicada, que é a gestão dos temas. Embora não concorde com alguns aspectos desta análise, sobretudo porque os organizadores até dificultam os mesmos temas (e não só no terceiro nível) somos forçados a admitir que há temas universais que são aflorados de uma forma básica, quando não deveria haver justificação para isso. Não vou, nem tenho interesse nisso, dissecar o que não se abordou. Mas falo do que se abordou e do tipo de perguntas. Houve uma tentação (afinal são perto de 200 perguntas!) de se pedir muitos nomes de coisas. É complicado gerir o pedido de nomes, sobretudo quando na nossa vida, o que se fixa é o que se discute e o que se "vive" e não o que se ouve "en passant". Dois exemplos no 2º nível (que não foram respondidos): o artista checo que foi responsável pela fraude da exposição, no âmbito da presidência da união europeia. O senhor chama-se David Cerny. Ouvir falar disto, sim senhor. Querer fixar o nome... não sei se teria essa vontade. A pergunta feita ao contrário seria igualmente difícil, mas já premiava quem soubesse do que se tratava. Outro exemplo pode ser o 1º satélite iraniano. Saber que eles lançaram, é uma pergunta legítima. Já o nome do dito... a menos que me tivesse escapado qualquer coisa, não vejo que fosse importante fixar.No fundo, o que eu quero dizer é que, onde os BMV "pecaram" não foi nos temas. Foi no tratamento geral da própria exposição delas. Sobretudo, na preocupação em equilibrar as perguntas para cada equipa. O que acaba por contradizer um pouco o que eles próprios disseram e gerou frustrações em muitas das equipas.
Dou mais um exemplo. Que não é de molde a justificar a péssima actuação dos Ambite mas pode ajudar a explicar em que é que uma falta de cuidado em equilibrar as perguntas para cada mesa, faz a sorte ser fundamental numa jornada.
1 - A coima máxima da lei do tabaco
2 - A rádio do passatempo "quem der menos, leva um carro"
3 - A 1ª visita de Hillary Clinton
4 - Núcleo antigo das cidades árabes
5 - Ok Teleseguro fala a Marta, e no ikea? (E quem nunca lá foi?)
6 - O 1º leite materno - A única que acertámos.
Resultado: Três fait-divers e uma actualidade que não pode ser considerada de importância política (daqui a uns tempos, a 1ª ida da senhora será irrelevante em termos políticos). Não tenho dúvidas que os Fónix também estariam eliminados nesta mesa. Quem aprecia erudição, sente-se danado com uma distribuição destas, quando outras perguntas de fácil acesso ao público, aparecem nas mesas exactamente ao lado. Não sou contra o fait-divers e tem sempre graça para muitas equipas, embora pessoalmente detesto. Mas três?!!!
Num quiz cheio de literatura, cinema, música e outras artes, política internacional de século XX, não havia nada para a mesa 6 neste temas? Teria trocado lindamente de mesa com quem se queixou que eram só estes temas!
Passado este momento (suspiro) gostava de falar sobre a história do "é o que estiver escrito no cartão". É uma estratégia. Ajuda e bastante para controlar a multidão em fúria em questões mais complicadas. Mas tem dois enormes inconvenientes. Para começar, provoca uma sensação de insegurança em quem responde, dado que sabe à partida que não há flexibilidade em respostas que poderiam ser flexíveis, mesmo sabendo do que se trata. E, para além disso, muitas vezes ajuda a mascarar (não estou a dizer que foi o caso, note-se) a falta de profundidade em perguntas que se vão buscar aqui e ali, porque se leu umas frases sobre o género. Como gerir isto? Na minha opinião, quem tem o quiz bem preparado não necessita deste artifício. É verdade que a preparação de um quiz requer tempo. No caso do Filipe e da Tita, são os que podem afirmar com mais legitimidade que não houve tempo. Quem se casa, tem outras coisas com que se preocupar. Mas então, não havia mais pessoas que, durante esse tempo podiam-se debruçar sobre esse assunto? Ou se calhar foi alguma gestão menos conseguida em relação às tarefas delegadas... Não sei.
Para quem já é a terceira vez que apresenta, houve uma rigidez estranha ao qual, sob o risco de estar a ser injusto, pode-se associar à sensação de insegurança de não ter as coisas como se devia ou queria. Num quiz bastante desequilibrado na gestão das mesas e dos níveis, acabou por ser o 3º nível o mais bem conseguido, segundo o consenso geral. Mesmo dando de barato o presidente do COI e que o Filipe se penitenciou. (Todos têm estas pequeninas falhas num terceiro nível).
Em conclusão, já assisti a quizes bem mais desinteressantes que este, que bem vistas as coisas tinha bastantes focos de interesse. Mas na minha opinião, não basta ir ao supermercado comprar os ingredientes. Quando se convida alguém para jantar, o convidado espera que os donos da casa tenham estado na cozinha a preparar o jantar. Qual não foi o meu espanto quando vi os ingredientes crus em cima da mesa.
Com uma parte escrita acessível para a maioria (e curta! Finalmente alguém que cumpra a máxima de uma figura, um ponto), os Indomáveis e uma grande surpresa da jornada os Lais da Carangueja foram os vencedores. Em orgia de pontos, quatro equipas haviam de se espetar à brava aqui, de tal forma que quem passasse pelas mesas deles no caminho da casa-de-banho, não aprenderia grande coisa. Três haviam de recuperar lindamente e só uma é que caiu numa cratera e nunca mais se viu: os Ambite! Se no mês passado, andou de mãos dadas com os Indomáveis quais gémeos, desta vez foi separado à nascença. E qual Zeus e Hades, viu um ascender ao Olimpo enquanto que o outro mergulhou no inferno! Literalmente à "beira de um ataque de nervos"!De resto, já em cascata propriamente dita, os outros nomes dos "not so Famous Five" também não encontraram a Ciganita nas Montanhas de Gales a visitar o Lago Negro. Num 1º nível com média de quatro directas, em que de um modo geral, quem não acertava via ser respondido logo a seguir, os Nnaped e os Golfinhos tiveram um ataque de onicofagia quando nem uma cascata viram, podendo também queixar-se um pouco da sorte. Os Frikadælløs, após uma estreia de leão, desta vez saíu de sendeiro e quando a porta do 2º nível se fechou, os Espertalhos quase tinham o mesmo destino do Martim Moniz. E se não fosse a escrita os Indomáveis tinham ficado aqui também, reescrevendo a história da jornada!
Quem assumia o comando nesta altura era os Mamedes. Mas a um ponto estava Fonixs, Carangueja (é verdade!) e os Cavaleiros que faziam uma recuperação notável após o desastre escrito e ganhavam o 1º nível isoladíssimos!
O 2º nível definiu o podium. Com 6 equipas a fazer 4 pontos ou menos(!) e o máximo de três directas (e em duas equipas) as cascatas foram fazendo a diferença para quatro delas. Respostas como Iran Costa ao satélite iraniano iam descontraíndo a orgia de cascatas. Só 12 deram a volta, mas só 13 foram directas.
Com uns Mamedes em curva descendente muito pouco habitual e a caírem para o 3º lugar e uns Fonix que bem podem agradecer a primeira parte pelo facto de fechar a cauda da final, os protagonistas desta jornada foram outros. Que me perdoem estas duas enormes equipas, habitualmente protagonistas das crónicas, mas o nosso Canadá cascateiro fica mais interessante com as tendências expansionistas na tabela. As restantes quatro equipas da final merecem todos os elogios deste mês. A começar pelos Lais da Carangueja. Terminam na sua melhor classificação de sempre e nunca estiveram em causa para a final, desde o início. Muitos Parabéns!
Ainda mais brilhantes foram os Feios, Porcos e Maus. Subiram a pulso de um atraso enorme e alcançam o 4º lugar, o seu melhor de sempre. Uma equipa em que mais de metade das participações são finais, só lhes falta mais consistência e jogarem mais vezes com 5 elementos para chegarem a um merecido podium. Desta vez ficaram à porta. Mas está quase.
E os Cavaleiros? Benvindos à luta do título! Foram impressionantes nesta jornada. Uma parte escrita nos últimos lugares, recuperaram a galope vencendo os dois níveis intermédios, o primeiro deles de forma esmagadora e foram os únicos que estiveram em jogo até ao final. Um brilhante segundo, mas que também não seria injusto se tivessem sido eles a ganhar.
Só que a noite era mesmo Indomável!
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E agora a polémica do mês: Por ser parte interessada, não vou pronunciar-me em demasia. Mas o que aconteceria se tivessem faltado três ou quatro equipas? Se os Ambite (ou outra equipa) tivessem ficado em 12º embora em último? Seriam convidados a ficarem de fora, quando quatro equipas, independentemente da justificação, não tinham aparecido?
Por outro lado, se a regra da troca do último lugar é inibidora para uma equipa desfalcada em determinado mês, não é preferível deixar de comparecer, pois arrisca-se a ficar em último de qualquer forma? Há demasiadas circunstâncias que não foram previstas nestas situações. Pessoalmente, gosto que a cascata tenha mais equipas. Mas acho esta regra de troca directa tremendamente penalizadora para qualquer equipa. Se se admitiu o alargamento para 18 porque razão não jogam as 17 ao mesmo tempo e uma organizadora?
À vossa consideração



















